domingo, 15 de outubro de 2017

O "bombardeio" ao trabalho continua no Brasil


Ocupação em São Bernardo do Campo, São Paulo
. Iniciada em 1º de setembro de 2017, a ocupação reúne hoje cerca de 7 mil famílias.
      Eu preciso também de um lugar para morar, né? Que não seja para mim, porque eu não sei o dia de amanhã, mas que seja para os meus filhos que estão aí crescendo, dois adolescentes, para deixar alguma coisa, para eles não ter que passarem a mesma história que eu passei. [...] Às vezes, eu falo assim e a história passa na cabeça. Porque eu lembro dos meus filhos, lembro da minha mãe também passando muita humilhação, onde ela vinha dividir um ovo para a gente comer e enganar o estômago... Aí eu olhei e falei "não, não tem condições de ficar assim", quando eu perdi o serviço ficou mais difícil ainda. Eu tentei entrar em programa social aqui em São Bernardo do Campo, mas eu não consegui.
Joana Darc Nunes, desempregada, membro da ocupação de São Bernardo do Campo de 2017[1]

"Os empregos não param de crescer", diz Temer (02/10/17)[2]. "O mercado de trabalho mostra recuperação", confirma Meirelles (19/07/17)[3]. Na TV e nos jornais, a tentativa desesperada do governo de tentar mostrar que as coisas enfim estão se ajustando para a população. E, com isso, buscar esconder ou mesmo justificar seu governo numa República de corruptos e ladrões. Enquanto isso, a bolsa de valores bate seu recorde histórico, superando enfim a marca de 2008, com farta entrada de capital estrangeiro. A confiança empresarial retoma patamares do início da recessão aberta, entre 2014 e 2015[4]. Afinal de contas, as reformas fundamentais para o capital estão mais ou menos se encaminhando... e "o objetivo (desse governo) é ajudar as empresas a saírem da crise e superar os processos judiciais", como entregou Meirelles (14/07/17)[5].

Esse é o discurso que diariamente o operário se vê forçado a ouvir, a ideologia dominante forçando-o a assumir como sua, mesmo que o seu cotidiano, no trabalho (para os que não estão nos 13 milhões de desempregados!), em casa (para os que a tem, ver epígrafe), ou na rua (buscando se proteger ao mesmo tempo da polícia e do crime organizado), mostre o quanto as coisas continuam a vagar pelo fundo do poço; o quanto a defesa dos “produtores de emprego e renda” (sic!) está deteriorando sua vida.

Nesse contexto contraditório, aparentemente esquizofrênico, precisamos olhar mais a fundo e de forma mais sistemática o que os últimos dados do mercado de trabalho têm a nos dizer. Mais especificamente, como a classe operária tem sido afetada através de mudanças na venda e no uso de sua força de trabalho e na sua reprodução nesse momento da crise. Notaremos que a expressão usada no texto A rápida deterioração das condições de reprodução da classe operária e demais classes trabalhadoras no Brasil[6], "bombardeio à força de trabalho", continua pertinente mesmo depois de um ano.

Do otimismo à realidade


Bem, para confrontar a euforia da ideologia burguesa, que busca amansar a rebeldia operária e popular, não precisamos ir muito longe. Os próprios técnicos do aparelho de Estado de certa forma denunciam a lenga-lenga do governo. "Falar que o pior do mercado de trabalho já passou é muito otimista. Tem um cenário exógeno, que é a crise política, e que pode reverter todo esse processo de recuperação que temos observado desde o começo do ano". Quem diz isso é o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE no Valor Econômico (29/09/2017)[7].

De um lado, sensata observação do coordenador do IBGE, já que feita alguns dias depois da segunda denúncia de Temer ser julgada procedente pelo STF, dos militares terem ameçado um golpe iminente com os generais Mourão e Villa Bôas e antes da "crise institucional" afastar o senador/playboy/trambiqueiro Aécio Neves pelo STF... Ou seja, no meio da luta feroz das facções[8] das classes dominantes entre si e com seus representantes, alas e agentes dentro do Estado - a elegante "crise institucional e política", para os acadêmicos e a mídia.

De outro, observação errônea, já que tal dificuldade em executar a dominação através de uma unidade interna nas classes dominantes (a "crise política"), apesar de se mover por inúmeros fatores contingentes e aleatórios, está vinculada e determinada em última instância pela crise do próprio capitalismo brasileiro (dificuldade de acumular e manter suas taxa de lucro). Crise cujo ponto mais visível tem sido a enorme recessão econômica e seus sérios desdobramentos[9], como por exemplo, na situação fiscal do país, cujo horizonte de "resolução" se distancia a cada passo, como uma miragem.

Outra não tão otimista instituição, agora da “sociedade civil”, é a FGV. Em seu último Boletim Macro, de setembro de 2017, ainda se mantém a previsão de taxa de desemprego para o ano que vem nos 12%, isso mesmo considerando que "o desempenho do mercado de trabalho também tem sido melhor que o esperado". Vamos lembrar que o patamar de 12% só foi atingido em meados de 2016, no "olho do furacão" dos indicadores econômicos. Grandes perspectivas para 2018! O acalanto sutil do FGV é que poderia ser pior (ou deverá ser, com o que chama de "confusão política").

Fora da ilusão da propaganda governista e empresarial, já não se pode ser "otimista". Agora se tentarmos interpretar os dados de acordo com o ponto de vista da classe operária, as coisas se tornam um tanto mais graves. Vejamos dois fatores centrais: emprego e renda.

Após ter alcançado um pico em 2017 de 13,7% no primeiro trimestre (maior desta crise), a taxa de desemprego calculada pelo IBGE caiu para 12,6% segundo a última medição (junho a agosto). A massa do exército industrial de reserva que ainda procura emprego vegeta em seu volumoso número de 13 milhões de pessoas, conforme o conceito mais restrito do IBGE. No conceito amplo – “desocupados mais os subocupados por insuficiência de horas trabalhadas mais a força de trabalho potencial” – essa massa dobra para pouco mais de 26 milhões, quase um quarto da força de trabalho do país.  

Essa pequena redução na taxa de desemprego se deu pelo crescimento da População Ocupada, mas "esse indicador, que considera o total de trabalhadores empregados formalmente e informalmente na economia, tem crescido de forma mais acelerada do que o estoque de emprego formal do CAGED [com carteira assinada]. Este último se mantém em trajetória de expansão lenta e gradual desde março de 2016, mês em que apresentou o pior resultado em termos de variação no ano contra ano." (IBGE, 2017). Vemos o gráfico abaixo:



Ou seja, o "emprego não para de crescer" (Temer), "o mercado está em recuperação" (Meirelles)... mas um emprego e um mercado específico: o informal, precarizado e superexplorado. E ainda muito pouco para retomar ao patamar antigo. O diabo mora nos detalhes.

Utilizando os dados até julho, diz o IBGE:

O número de empregados com carteira de trabalho assinada (33,3 milhões de pessoas) manteve-se estável frente ao trimestre anterior, mas caiu 2,9% frente ao mesmo trimestre do ano anterior (- 1,0 milhão de pessoas). Já o número de empregados sem carteira assinada (10,7 milhões de pessoas) cresceu 4,6% em relação ao trimestre anterior (mais 468 mil pessoas) e 5,6% contra o mesmo trimestre de 2016 (mais 566 mil pessoas). O contingente de trabalhadores por conta própria (22,6 milhões de pessoas) subiu 1,6% na comparação trimestral (mais 351 mil pessoas) e na anual houve estabilidade.[10]

Como está no título da matéria do Valor de 29/09/17[11], o informal é responsável por cerca de 70% das novas vagas, que representa na verdade nosso passado recente de gigantesca informalidade. Nessa matéria, mais uma vez, o mesmo coordenador do IBGE fala: "são empregos como trabalhador familiar auxiliar, trabalhador por conta própria, emprego no setor privado sem carteira. Em momento de saída de crises, é comum aumentar o emprego informal. Foi assim em 2008, em 2003. As pessoas contratam, mas não efetivam com a assinatura da carteira porque ainda existem incertezas". Se existem incertezas ao empresário, cada dia mais "confiante", imagine para o trabalhador que está com sua família dormindo com o fantasma da fome ao lado!

Isso sem falar que setores específicos dos trabalhadores tem sofrido de forma aguda essa recessão. A "escolarizada" juventude[12] dos anos 2010 sofre com altíssimo nível de desemprego (desde 2016 em torno de 25%), alta rotatividade e menores salários. Não é à toa que é a principal vítima do contexto de guerra perpétua coordenada pelo Estado burguês no campo e na cidade.

Quanto à chamada renda do trabalho, esta tem se mantido estável pelos dados oficiais. Mas o IPEA explica o porquê: "ao longo da crise, a opção inicial é a dispensa de trabalhadores menos qualificados e, portanto, com salários menores, pois esse contingente é mais fácil de ser recontratado no momento da retomada da atividade econômica. Com isso, a média salarial se eleva mesmo na ausência de reajustes. Adicionalmente, a acentuada queda da inflação nos últimos meses, vem contribuindo positivamente para essa expansão dos salários reais."[13]. Mesmo crescendo no geral, a massa salarial está longe de retomar o patamar anterior à crise.

E se desagregarmos os dados, veremos que esse crescimento está concentrado na dita "Classe A" (renda familiar mais que R$ 17.000), e não nas camadas populares, cuja massa salarial está caindo ou estabilizada. Abaixo, um gráfico da Tendências Consultoria Integrada, publicado no Valor Econômico[14]:



Depois de, aos milhões, a dita "Classe C" ser jogada para faixas de rendas mais baixas na crise, hoje ainda amargam um congelamento de sua massa salarial.

Outro indicador importante para notarmos como anda a realidade dos salários e uso da força de trabalho está nos motivos das greves. Recentemente, o DIEESE[15] concluiu seu balanço das greves de 2016 e suas conclusões mostram um quadro bastante ofensivo do patronato sobre os salários. Apesar do grande número de greves (mais de dois mil, mantendo o patamar de 2013), 38% se deram por conta de atraso de salários. Em 2012 e 2013 esse motivo não chegava a 20%. Em 2016, por fim, mais de 80% das greves foram apenas por manutenção de conquistas ou por descumprimento dessas.

A realidade do parcelamento, atraso, ou do calote puro e simples, dos salários é uma realidade que tem crescido inclusive no serviço público[16], um bastião de "direitos trabalhistas" e "seguridade". Desde 2015, ocupações de prefeituras na virada dos anos fiscais têm sido comuns; assalto ("legais") aos fundos de previdência dos servidores para pagamento de seus salários; filas para distribuição de cestas básicas a servidores no Rio de Janeiro... tudo isso com "concursados", um dos elementos ideológicos de ascensão social mais importantes do período petista.

Sabe-se que apenas com o salário direto dos que conseguem estar empregados, a própria relação assalariada estaria em risco de não se sustentar - o tamanho do exército de reserva, o "complemento" a salários menores que o valor da força de trabalho... tudo isso é mais ou menos administrado pelo Estado[17]. No capitalismo, a reprodução da força de trabalho também é auxiliada pelas políticas "sociais" do Estado. No momento de crise, essa administração tende a sofrer alterações, como as que estamos vendo: não só as verbas para tais programas vão minguando, quanto também a própria ideologia que os sustenta.

Um exemplo é o programa Minha Casa, Minha Vida – alvo de reivindicação da recente e gigantesca ocupação em São Bernardo do Campo, cuja foto aérea ilustra este artigo. Para esse programa, os "pagamentos chegaram à marca de R$ 20,7 bilhões em 2015, recuaram para R$ 7,9 bilhões em 2016 e somam apenas R$ 1,8 bilhão de janeiro a agosto deste ano."[18] No Blog do professor da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa[19]: “segundo último balanço do programa disponível, repassado pelo Ministério das Cidades, apenas 1.850 unidades de 110.129 foram contratadas no acumulado de janeiro a abril deste ano por famílias com renda mensal de até R$ 1,8 mil. O resultado representa uma redução de 51% na comparação com 2016, período em que em que as contratações já estavam aquém das expectativas devido à redução das receitas provocada pela recessão econômica”. Vai-se mudando assim o "público" do programa, excluindo cada vez mais as camadas mais pobres até mesmo das péssimas construções típicas do programa[20].

Abaixo, a tabela elaborada pelo Valor Econômico mostra ainda drástica redução em outros programas semelhantes:



Por fim, mesmo com salários diretos e indiretos mantidos, ou diminuídos de forma "suportável", o mesmo não se pode falar das perspectivas das condições de trabalho - e consequentemente de vida e saúde. A unanimemente aclamada pelos empresários[21] reforma trabalhista tem sido aprovada em suas diversas partes veloz e facilmente. E, como tem sido amplamente noticiado, a capacidade de reação e resistência dos trabalhadores sofrerá forte queda, ao menos nos marcos legais e institucionais. Fim da ultratividade (dos “direitos adquiridos” em outras data-bases), possibilidades de acordos individuais, terceirização irrestrita, mais dificuldades no acesso à Justiça do Trabalho, são alguns exemplos nesse ponto. Já a "liberdade" patronal para explorar ganhou novos horizontes. Possibilidade de aumentar a jornada e a intensidade de trabalho são múltiplas. A simples alteração do que a lei entende por "tempo de trabalho" já exemplifica isso. Em seu Art. 4º, a "nova" CLT não considera tempo de trabalho “adentrar ou permanecer nas dependências da empresa para exercer atividades particulares, entre outras: I – práticas religiosas; II – descanso; III – lazer; IV – estudo; V – alimentação; VI – atividades de relacionamento social; VII – higiene pessoal; VIII – troca de roupa ou uniforme, quando não houver obrigatoriedade de realizar a troca na empresa”[22]. Os tempos mortos para o capital dentro das empresas, alvo de vigilância constante da burguesia, agora tem uma segurança jurídica de novo patamar.

Mas o inferno tem vários andares. Apesar do esforço dos representantes políticos da burguesia, ainda há caminho a se trilhar. O capital precisa de (sempre) mais liberdade! É o que grita a Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, que se reuniu em Nova York após a aprovação da Reforma Trabalhista. Na matéria da Folha de São Paulo[23], vemos o quanto a burguesia da potência imperialista puxou a orelha da burguesia daqui. Frustrado, um executivo disse: “Então quer dizer que ainda não vamos poder reduzir salários? Isso é a coisa mais anticapitalista que existe”[24]. Afinal, ele está acostumado com um país, dito "país da democracia", onde a empresa não tem obrigação de pagar férias, dar licença maternidade, e pode demitir sem nem aviso prévio...

A reforma visa dar um novo patamar jurídico, mas obviamente que este é apenas um eixo para a prática burguesa mais segura na extração da mais-valia. Um Estado mais afinado com suas necessidades objetivas. Ora, vários desses pontos alterados já são práticas comuns pelo país a fora – incluindo a escravidão[25], cuja verba para fiscalização está sumindo por conta de “interesses econômicos com extensa representação política nas mais altas instâncias de poder do Estado brasileiro”, segundo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc). Para bom entendedor meia palavra basta.

Da realidade à luta

Causas Contrariantes [da Lei da Queda Tendencial da Taxa de Lucro]: I. Elevação do grau de exploração do trabalho. O grau de exploração do trabalho, a apropriação de mais trabalho e de mais-valia, é elevado a saber por meio de prolongamento da jornada de trabalho e intensificação do trabalho.
...
 II. Compressão do salário abaixo de seu valor ... é uma das causas mais significativas de contenção da tendência à queda da taxa de lucro [26]

Trouxemos essa citação de Marx do texto A Crise do Imperialismo Como Ofensiva do Capital na Luta de Classes e a Necessidade da Contraofensiva da Classe Operária[27], de 2012. Nela vemos de forma muito sintética como o avanço do capital sobre o trabalho é uma necessidade constante ao capitalismo, agravada em períodos de crise que visam reverter a queda da taxa de lucro. E à época nos ajudou a refletir sobre as diferentes formas como as formações sociais, dominantes e dominadas, estavam reagindo à crise do imperialismo no tocando à força de trabalho. Desemprego e aumento da exploração atingiam de formas variadas as formações, sendo o papel da análise científica focar as diferenças e pontos comuns.

O mercado de trabalho brasileiro, por diversas razões, só foi atingido gravemente a partir de 2015, com elevação da taxa de desemprego e posterior agravamento geral da reprodução dos trabalhadores e quebra (intencional) da resistência e poderio de barganha, sobretudo de nível sindical. As reformas que comentamos acima visam reformular o uso e as características da força de trabalho com fins de retomar a taxa de lucro e a acumulação dos capitais.

No texto de 2012, comentamos como, por exemplo, a Alemanha reformou o mercado de trabalho antes do estouro da crise e foi menos atingida em níveis de desemprego, queda de produtividade etc. Isso não em benefícios de seus trabalhadores, mas de seus capitais: já antes da crise sua massa de trabalhadores sofreu forte disciplinarização, redução de salários, flexibilização de contratos e jornadas etc. Coisas que as classes dominantes de nossa formação social correm contra o tempo para aprovar – reformas extremamente necessárias a esse sistema, e não "maldades" de a ou b, como os reformistas querem fazer crer.

A modernização (capitalista) para combater a crise é sempre mais massacre para o proletariado. Prolonga sua miséria e opressão com a ilusão de que os frutos do crescimento futuro serão divididos pelas classes – coisa que nunca acontece, como se viu em mais um importante estudo sobre a tal “distribuição de renda” do petismo[28]. Exige-se sacrifício (que gera adoecimento[29], morte...) para, na próxima crise, exigi-lo de novo... e assim continuar a história da exploração do proletariado, geração por geração, como na história de Joana no início do texto, que luta por uma moradia num país onde 6 bilionários[30] tem mais dinheiro que toda sua família, companheiros, antepassados, cidade... mais que metade da população brasileira mais pobre, para ser mais preciso.

Nas condições concretas de nosso país, a classe operária e os trabalhadores lutam sob forte desorganização, em imensa defensiva. Eis o atual quadro da luta de classes, sentido pela maioria dos trabalhadores. Trabalhadores esses, incluindo os "por conta própria", ditos "empreendedores", sofrem um forte ataque ideológico, visando acabar com qualquer reação coletiva e individualizando seus problemas. É nesse contexto que se insere os arroubos otimistas e ilusões pregadas pelas classes dominantes. A ideologia meritocrática nunca foi tão explícita como na recente propaganda do Santander[31], onde o "vermelho" não é uma alternativa de sociedade para os trabalhadores, (nem a ilusão eleitoral dos últimos anos), mas uma máquina de cartão para seu pequeno negócio. Banco este com lucros bilionários e crescentes - pequenos negócios que na sua maioria são fechados hoje antes de completar 5 anos. Não só na propaganda do banco: na Igreja, nas empresas, no sindicato...

Fomentar soluções coletivas, novas formas de organização e luta, são as tarefas urgentes e imediatas para todos os comunistas. Esse ano completa-se 100 anos da primeira greve geral do país e o não rompimento com esse sistema nos coloca nas mesmas esquinas da insegurança, da miséria, da fome... de 100 anos atrás.

Há que se sair dessas esquinas, e a diretriz central já a temos: "a emancipação dos trabalhadores será obra dos próprios trabalhadores" - e não de qualquer oportunista que apareça no mercado político.




[1] Vídeo completo da entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=5QC3zbSkkO8

[9] Em outro momento discutiremos sobre o fim "técnico" da recessão, tendo em vista os pífios resultados positivos do PIB deste ano (sobretudo pela safra do início do ano e liberação do FGTS), e como uma análise marxista deve interpretar tais dados, concretamente, como se relacionam com a crise do imperialismo atual.

[17] Em seu importante livro, Estado e Capital - Uma análise da política econômica, Suzanne de Brunhoff lembra que "o capital privado tem sempre necessidade da existência de um poder estatal". No tocante à mercadoria força de trabalho, o Estado tem papel fundamental em sua reprodução. Na página 9, Brunhoff diz: "Disciplina do trabalho, insegurança do emprego, permanência do aprovisionamento de força de trabalho proletária ao menor custo possível: a combinação desses aspectos implica uma intervenção estatal imanente ao processo de acumulação capitalista, ao mesmo tempo que fundamentalmente exterior a esse processo. A exterioridade da gestão estatal da força de trabalho é a própria condição de sua imanência. Essa gestão acompanha todas as fases do capitalismo. É por isso que a assistência aos pobres do início do século XIX, esse arcaísmo, permanece ainda hoje como uma forma viva que permeia as instituições mais modernas do Seguro Social". Mais a frente, na página 17, complementa: "Quaisquer que sejam sua forma e suas modalidades, a gestão estatal da força de trabalho tem como objeto principal a responsabilidade sobre uma parte do valor dessa força, que os capitalistas não remuneram de maneira direta. [... As instituições públicas] constituem uma espécie de meio no qual se desenvolve e funciona a exploração capitalista, e testemunham o fato de que não existe um capitalismo puro que o Estado viria remediar ou completar de uma forma ou de outra. Ao mesmo tempo, são permanentemente o lugar de conflitos de classe relacionados não apenas à sua instauração mas à sua forma e extensão, enquanto só se desenvolvem pela realização de compromissos entre as classes."

[21] “Segundo nossa análise, a reforma pode elevar a posição do Brasil, no quesito eficiência do mercado de trabalho, da atual 117ª posição para 86ª posição em um ranking de 138 países.” (Macro Visão do Itaú, agosto de 2017, Disponível em: https://www.itau.com.br/_arquivosestaticos/itauBBA/contents/common/docs/04082017_MACROVISAO_REFORMATRABALHISTA.pdf). A tal eficiência, calculada também pelo Fórum Econômico Mundial, leva em conta fatores como: flexibilidade para contratar e demitir, flexibilidade de salários, cooperação empregado-empregador, custos de demissão... em todos eles o Brasil está (ainda) em péssima “colocação”! No texto de um ano atrás, chamamos a reforma trabalhista de a "galinha dos ovos de ouro da burguesia". Com ela, "objetivamente, o que a burguesia quer é um maior controle e espaço para a exploração da força de trabalho, retirando do caminho limites que historicamente foram impostos pela luta de classes. O que Marx chama de livre exploração da força de trabalho (para e pelos capitalistas).".

[24] E o empresário continua: "E se perdermos dinheiro? Vamos também dividir os prejuízos?". Com esse discurso podemos ver a essência da ideologia capitalista que tende a se radicalizar nas crises. Suzanne de Brunhoff fala, ao analisar as alterações no capitalismo, sobretudo dos países centrais diante da crise dos anos 1970, em A hora do mercado: crítica do liberalismo,: Durante a crise, algumas práticas patronais correntes, mas até então disseminadas, procuram ser generalizadas e legitimadas. Assim, na França, o direito de demissão foi sempre exercido, já que cerca de 90% das demissões “econômicas” solicitadas eram concedidas. Mas o patronato pede mais: deseja que o direito de demitir seja exercido sem formalidades nem controles, segundo o modelo americano. De maneira mais geral, o que se procura, desta vez segundo o modelo japonês que se imagina, é a flexibilidade do emprego e condições de trabalho segundo as necessidades da empresa. Essa flexibilidade já existe sob diferentes formas, por exemplo, o trabalho por turnos de 3 x 8 horas ou o emprego de trabalhadores temporários. Mas isso é considerado insuficiente pela organização patronal francesa, porque é necessário um novo consenso sobre as condições de emprego que seja oficialmente ratificado por regras do jogo que tenham alcance geral. [...] A pressão da concorrência de crise estimula as empresas a transferir uma parte de suas dificuldades sobre os assalariados, além da extração “normal” da mais-valia.". Ver: https://lavrapalavra.com/2017/03/16/salariados-e-corporativismo/.

[26] MARX, Karl. O Capital. Crítica da Economia Política. Livro Terceiro, Tomo I, Seção III (Lei da Queda da Taxa de Lucro), Capítulo XIV (Causas Contrariantes). 3ª Edição. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 168-170.

[29] Vários estudos apontam a relação entre adoecimento e período de crise, austeridade, aumento de precariedade no trabalho etc. Hoje os dados relacionados ao adoecimento psíquico são alarmantes. Um dado indireto disso no Brasil é o crescimento da venda de antidepressivos. Em 2015, 25 milhões de unidades foram vendidos de janeiro a junho. Em 2017, para o mesmo período, as vendas passaram de 31 milhões. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos. Já segundo dados da Secretaria da Previdência, "as concessões de auxílio-doença para pessoas que sofrem desse mal cresceram 17% em quatro anos", segundo matéria de O Globo de 25/09/17. Essa realidade afeta cada vez mais os jovens, ver: http://www.huffpostbrasil.com/2017/10/06/por-que-os-jovens-universitarios-estao-tao-suscetiveis-a-transtornos-mentais_a_23214960/.

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