sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O referendo na Catalunha e a autodeterminação dos povos.

Com a aproximação do referendo sobre a independência da Catalunha, marcado para 1° de outubro pelo governo local (“Generialitat”), assiste-se a uma escalada repressiva coordenada pela Espanha contra a luta do povo catalão.

Considerando o referendo “ilegal”, as autoridades espanholas e seus “aliados”, inclusive de “esquerda”, agindo como verdadeiros representantes dos capitais espanhóis que são, têm utilizado de seu gigantesco aparato midiático e repressivo para sufocar a vontade da maioria popular e sua massiva mobilização. Diariamente, “comentaristas” falam da ilegalidade, da intransigência e da irracionalidade da luta pela independência; autoridades espanholas ampliam o tom das ameaças que, de fato, tem se concretizado. O Tribunal Constitucional espanhol tem acatado os pedidos do governo de Mariano Rajoy para tentar impedir o avanço do processo de independência. Na manhã de 20 de setembro de 2017, vários membros do governo catalão foram presos pela polícia espanhola, que também ocupou vários órgãos da Generialitat e locais pró-independência, atropelando a limitada autonomia política da região. Segundo o site Público, de Portugal, a polícia espanhola também apreendeu quase dez milhões de boletins de voto para o referendo, além de estar censurando ostensivamente a propagando do evento. E são esses senhores que pedem cinicamente por “diálogo”!

O aumento da repressão tem sido respondido com manifestações na região e demonstrações de solidariedade à luta por autodeterminação dos catalães ao redor do mundo. Se impedem as urnas, o povo irá às ruas! Dezenas de milhares tomaram as ruas de Barcelona e de várias outras cidades da Catalunha essa semana e prometem não sair delas. Uma greve geral já está convocada para o dia 03 de outubro. Essa mobilização contagia e amplifica a luta dos outros povos dominados pela Espanha, como demonstram as recentes manifestações na Galiza, no País Basco etc.

O risco dessa mobilização popular confrontar-se mais forte e diretamente com os desígnios do imperialismo já é objeto de temor das burguesias da região europeia. As lutas de libertação nacional nos países dominados pelo imperialismo pode, em determinadas situações concretas, impulsionar fortemente a luta pelo socialismo nesses países e em outros. Só é possível libertar-se do verdadeiramente da dominação imperialista sabendo unir a luta pela libertação nacional com a luta pelo revolução proletária.

Buscando contribuir com a disputa política e ideológica no movimento e se solidarizar com o mesmo, divulgamos a Carta aos comunistas espanhóis e do mundo respeito aos acontecimentos na Catalunha, do Primeira Linha (Galiza), logo abaixo, e a tradução para o português do texto de Lenin A revolução socialista e o direito das nações à autodeterminação, também divulgado no sítio dos camaradas galegos, que pode ser acessado em pdf aqui.

É dever dos comunistas apoiar a luta ao povo catalão, galego, basco e de outros povos dominados contra a opressão espanhola!

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Carta aos comunistas espanhóis e do mundo respeito aos acontecimentos na Catalunha

Primeira Linha

“O proletariado das naçons opressoras nom pode limitar-se a pronunciar frases gerais, esterotipadas, contra as anexaçons e pola igualdade de direitos das naçons em geral, frases que qualquer burguês pacifista repete. O proletariado nom pode silenciar o problema, particularmente “desagradável” para a burguesia imperialista, relativo às fronteiras de um Estado baseado na opressom nacional. O proletariado nom pode deixar de luitar contra a manutençom pola força das naçons oprimidas dentro das fronteiras de um Estado determinado, e isso equivale justamente a luitar polo direito à autodeterminaçom.

Deve exigir a liberdade de separaçom política das colónias e naçons que a “sua” naçom oprime. Em caso contrário, o internacionalismo do proletariado será vazio e de palavra; nem a confiança, nem a solidariedade de classe entre os operários da naçom oprimida e opressora seriam possíveis; ficaria sem desmascarar a hipocrisia dos defensores reformistas e kauskianos da autodeterminaçom, quem nada dim das naçons que a “sua própria” naçom oprime e retém pola força no “seu próprio” Estado.”
(Lenine)

domingo, 3 de setembro de 2017

A Crise do Imperialismo nos Dez Anos do Crash de 2007.

Os Retirantes - Portinari.
Na Idade Média, a continuidade da monarquia – seja na França, na Inglaterra, ou qualquer outro reinado – era saudada com a paradoxal frase: “O rei está morto! Vida longa ao rei!”.

De uma certa forma, podemos nos arriscar a dizer que esse (pseudo-)paradoxo também vale para as crises do capitalismo.

De início não faltam áulicos do capital para negar a realidade da crise. Alguns mesmo chegam a praticamente negar a própria possibilidade das mesmas. A partir do momento no qual a violência da crise do capital a torna inegável, no entanto, os bem pagos espadachins mercenários passam a, imediatamente, buscar qualquer pequeno sinal para dizer que a mesma já acabou. O capital parece estar sempre a dizer: “A crise morreu! Vida longa ao capitalismo!”.

Analisar as contradições do capitalismo do ponto de vista científico, utilizando-se do marxismo-leninismo, e – o que é seu necessário corolário – fazê-lo do ponto de vista do proletariado revolucionário, resulta, no entanto, em conclusões absolutamente distintas, diametralmente opostas.

As contradições do capitalismo levam inexoravelmente a crises. Toda a história do capitalismo, do seu surgimento à atual fase imperialista, comprova repetidamente essa verdade teórica e empírica. O “desenvolvimento” capitalista – a concorrência entre os capitais pela sua acumulação em escala crescente visando o lucro máximo – mina a própria base sobre a qual este se ergue, a exploração do trabalho assalariado.

Essas contradições, nos ensinaram Marx e Engles, levavam a recorrentes crises do capitalismo, cuja regularidade os faziam esperar por crises praticamente decenais. A virada para a etapa monopolista do capitalismo se inicia com a primeira Grande Depressão, no último quartel do século XIX. O novo século é inaugurado com a Primeira Guerra Imperialista, à qual se segue uma nova Grande Depressão, nos anos 1930. Sua saída só ocorre com a inimaginável queima de capitais causada pela Segunda Grande Guerra Imperialista (1939-1945). Após o período de reconstrução dos países destruídos pela guerra e de consolidação dos novos capitais, o imperialismo passou a sofrer, a partir de meados dos anos 1970, crises sequenciais que, de tão recorrentes e seguidas, são “praticamente uma crise sem fim” (Engels, ver aqui e aqui). Em 2007, inaugurou-se uma nova Depressão capitalista, a terceira de sua fase imperialista.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Anti-Dimitrov de Francisco Martins Rodrigues.

Informamos aos camaradas e leitores do blog Cem Flores que temos, para a venda, alguns exemplares do livro Anti-Dimitrov 1935/1985 - meio século de derrota da revolução, do dirigente comunista português Francisco Martins Rodrigues.

Aos que não conhecem essa importante obra de crítica ao reformismo, indicamos a resenha já publicada no Cem Flores e que pode ser acessada aqui.

O blog publicou também uma importante colaboração ao debate suscitado por essa obra e que pode ser acessada aqui.

Para conhecer melhor a obra de Francisco Martins Rodrigues indicamos a página que reúne sua produção: https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com


Os que tiverem interesse em adquirir o livro podem solicitar pelo e-mail cem.flores.desabrochem@gmail.com.

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

O Fim da Obediência - Ana Barradas

Reproduzimos abaixo o artigo O Fim da Obediência, da camarada Ana Barradas, recém publicado no site Bandeira Vermelha (acesse aqui). Trata-se de artigo que, como introduz a autora, expõe os "acontecimentos que na China marcaram o espantoso progresso das mulheres promovido pela revolução, que as fez transpor em poucos anos um atraso de séculos." Esse artigo foi publicado originalmente no jornal comunista português Política Operária, no início de 1994.
Essa publicação se soma a outras que já postamos e que também tratam da luta da mulher e da revolução. Em março de 2014 publicamos o texto A Libertação da Mulher é uma Necessidade da Revolução, Garantia da sua Continuidade, Condição do seu Triunfo, do dirigente comunista moçambicano Samora Machel.
Em março de 2017 publicamos dois artigos relacionados ao tema: A Família na União Soviética. Crise e Reconstituição 1917/1944, também de Ana Barradas e o texto A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo, de Vladimir Ilich Lenin.
Publicamos também, em maio último, outro texto da camarada Ana BarradasFalta um Programa Para as Mulheres.
É tarefa imprescindível para a revolução no Brasil e no mundo a incorporação imediata das verdadeiras bandeiras de luta das mulheres. Sem isso o caminho teórico e prático para a retomada do nosso instrumento de combate e da Revolução estará travado. É essa nossa intenção com a apresentação desses materiais para estudo e debate entre os camaradas e leitores do blog Cem Flores.

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Ana Barradas
Vem a propósito de centenário de Mao Tsé-tung recordar os acontecimentos que na China marcaram o espantoso progresso das mulheres promovido pela revolução, que as fez transpor em poucos anos um atraso de séculos. Foi esse prodígio que se repercutiu ao longo de décadas no resto do mundo, rasgando novos horizontes ao movimento feminista e restituindo ao campo revolucionário uma causa que os revisionistas tinham condenado ao esquecimento.

domingo, 30 de julho de 2017

O capitalismo encontrou limites intransponíveis? François Chesnais.

Desde o ano passado o blog Cem Flores vem publicando uma série de artigos com o objetivo de aprofundar os estudos que já vimos fazendo, a partir do marxismo, sobre a crise geral do imperialismo, crise que atinge o conjunto da economia mundial, do sistema capitalista no mundo.
Postamos em outubro de 2016, com uma apresentação, o prefácio e dois capítulos do livro de Lenin “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” (aqui), comemorando os 100 anos de publicação dessa obra magistral.
Um mês depois apresentamos uma análise crítica à posição do Partido Comunista da Grécia sobre o imperialismo (acesse aqui).
Aprofundamos a análise do tema em dezembro apresentando e debatendo o texto de Francisco Martins Rodrigues "Os clássicos e o imperialismo: que actualidade?" (aqui). 
Fizemos ainda uma resenha crítica ao texto de Dani Nabudere “A Economia Política do Imperialismo”, publicada em maio desse ano, que pode ser acessada aqui.
Além desses 04 artigos que debatem a atualidade do conceito e a situação do imperialismo hoje, apresentamos ainda ao leitores do blog a tradução de dois trabalhos de Tom Thomas, extremamente atuais, sobre a crise geral do modo de produção capitalista no mundo e as perspectivas para o movimento revolucionário: o livro "2015 - Situação & Perspectivas" (aqui) e uma atualização de sua avaliação no texto "Situação em 2015: Atualização e Confirmação" (aqui).
Com o objetivo de aprofundar a análise da crise hoje reproduzimos abaixo o texto de François Chesnais intitulado "O capitalismo encontrou limites intransponíveis?". Esse artigo foi publicado em português na edição nº 24 da revista eletrônica O Comuneiro (link para o original aqui).
Na apresentação do artigo o editor da revista, Ângelo Novo, que fez a tradução para o português, apresenta o texto que versa "sobre um tema que tem estado na mente de muitos nós desde, pelo menos, a crise de 2007-8: terá o capital encontrado limites absolutos ao seu típico movimento de expansão? É uma interrogação que coloca certamente algumas questões a quem procura desenhar linhas estratégicas para o derrube deste sistema iníquo e ruinoso, mas nunca nos poderá afastar da única certeza que temos, a da luta."
Mesmo discordando de várias posições defendidas por François Chesnais (em particular sua tese sobre a financeirização, que se afasta do marxismo) consideramos importante a leitura do texto publicado em O Comuneiro pelo apurado estudo que faz da crise hoje. Trata-se de uma importante contribuição para a análise da situação atual da conjuntura no mundo e recomendamos seu estudo.
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O capitalismo encontrou limites intransponíveis?
François Chesnais (*)

Em seu número 631/632, de novembro de 2016, a revista Inprecor publicou um texto traduzido da versão castelhana que saiu na revista Herramienta, ela própria traduzida do original em inglês. Este ensaio original vem na conclusão de um livro saído na coleção «Historical Materialism» sobre o capital financeiro e as finanças que eu escrevi à luz da crise de 2007-2008 e das transformações nas formas globalizadas de exploração dos proletários (1). Tanto a conclusão do livro como o texto publicado em Inprecor têm como horizonte as perspectivas da sociedade humana. As observações de amigos que o leram me convenceram da necessidade de clarificar alguns argumentos.

domingo, 23 de julho de 2017

25 de Julho - Dia da Pátria na Galiza

No dia 25 de julho comemora-se o Dia da Pátria na Galiza. Em comemoração à essa data damos destaque ao ato político internacionalista, convocado pela Organização Socialista e Feminista Galega de Libertação Nacional - AGORA GALIZACem Flores se solidariza integralmente à luta do povo galego por sua independência e pela revolução. Reproduzimos abaixo o manifesto à essa data que divulga AGORA GALIZA.
Para conhecer melhor a posição dessa organização recomendamos também a leitura da entrevista com Carlos Morais, membro da Direção Nacional da AGORA GALIZA, que pode ser acessada aqui.
Reproduzimos ainda, após o manifesto, a saudação ao Dia da Pátria na Galiza que Cem Flores enviou aos camaradas galegos.
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AGORA GALIZA
MANIFESTO 25 DE JULHO 2017
REBELIÃO POPULAR

Independência e Pátria Socialista.

Espanha é um Estado autoritário em deriva fascistizante. O capitalismo um sistema socioeconómico injusto que gera exploração, desigualdade e miséria. O patriarcado um sistema que perpetua a discriminação, dominação e opressão da maioria social, as mulheres.

Este quadro tão adverso só pode ser transformado mediante um processo revolucionário de orientação socialista dirigido pela classe trabalhadora. Sem a auto-organização e a mobilização permanente do povo trabalhador não será viável a necessária ruptura.

Nem Espanha, nem o capitalismo, nem o patriarcado som reformáveis. Estes são os inimigos reais da nossa classe, da nossa nação e das mulheres. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Tom Thomas e a refundação do comunismo - António Barata

Conforme indicamos na última publicação reproduzimos agora a análise crítica ao texto de Tom Thomas 2015 - Situação & Perspectivas, de autoria do camarada António Barata, publicado originalmente no site Bandeira Vermelha. Há no texto, além da análise crítica, uma importante indicação teórica para a retomada de uma corrente comunista revolucionária.


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Tom Thomas e a refundação do comunismo
António Barata
Num texto de Outubro de 2014, intitulado Para um novo projecto comunista (aqui), Tom Thomas esboça um princípio de via para a reconstrução do movimento comunista revolucionário. Dando por adquirido que:
o capital entrou numa fase de crise crónica devido à “tendência” para “a baixa do valor de troca dos produtos” e de, primeira vez na história da humanidade, o desenvolvimento do capitalismo ter gerado “uma diminuição considerável do tempo de trabalho”, o que ou “reduz massivamente os proletários à miséria física, intelectual, social e moral do desemprego, ou então absorve em seu proveito esse tempo de não-trabalho por meio de ócios absolutamente alienantes”;
desapareceram as bases materiais do reformismo social-democrata devido ao “esgotamento do aumento da extracção de mais-valia na sua forma relativa, a única que permite prosseguir (…) a acumulação de capital”, o que inviabiliza qualquer política keynesiana de relançamento do crescimento através da subida de salários e de obras estatais – “não é no momento em que o processo de valorização do capital está doente, e mesmo em pane, que a subida dos salários é possível, tal como não é possível que Estados híper-endividados aumentem as despesas”.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

2015 - Situação & Perspectivas - Tom Thomas

Reproduzimos abaixo o livro 2015 - Situação & Perspectivas, de Tom Thomas. Esse trabalho foi recentemente publicado em português no site Bandeira Vermelha (consulte aqui), a partir de uma versão inicial intitulada Para um novo projecto comunista, apresentado com uma instigante crítica do camarada Antonio Barata.
O blog Cem Flores publicou recentemente um outro texto de Tom Thomas que atualizou a análise de algumas questões apresentadas no livro de 2015. Essa postagem pode ser acessada aqui.
Consideramos que a análise de Tom Thomas é importante contribuição para entender a crise geral do imperialismo hoje e seus efeitos políticos e ideológicos. Contribui principalmente na análise do reformismo atual, trecho em destaque na crítica de Antonio Barata, que publicaremos posteriormente.
O artigo apresenta também uma importante proposta de construção de "um novo movimento comunista", último capítulo do livro.
A reconstrução do instrumento de luta da classe operária passará, necessariamente, pela compreensão dos problemas da crise que se abateu sobre o movimento comunista no mundo e é essa a intenção do Cem Flores com a presente publicação.
Boa leitura!
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Para um novo projeto comunista
(2015 Situação & Perspectivas)
Tom Thomas
Breve olhar sobre o passado
Segundo Marx e Engels, as burguesias de outrora temiam muito “um espectro que assola a Europa: o espectro do comunismo”. Hoje ainda, elas têm e dão do comunismo uma imagem tanto mais diabólica e espectral quanto é certo que elas acreditaram que o comunismo as aniquilaria, e que a crise bem poderia fazê-lo sair da letargia.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

O MOVIMENTO SINDICAL NA CRISE DO CAPITALISMO BRASILEIRO

Em diversas intervenções recentes o Blog Cem Flores tem mostrado a grande ofensiva burguesa sobre as condições de trabalho, de luta e de vida das classes dominadas no Brasil[1]. A crise do capitalismo brasileiro abriu um novo e duro período no qual a exploração e a opressão da classe operária e demais setores do povo estão se aprofundando rapidamente. Várias dessas derrotas e retrocessos estão sendo sacramentados pelo Estado burguês em novas legislações, fazendo que “direitos” e conquistas de décadas de luta sejam evaporados (oficial e legalmente...) em questão de meses. O objetivo final do capital com tudo isso é a retomada das condições de sua acumulação e lucratividade.

No entanto, na análise desse momento da luta de classes no Brasil, temos conseguido apenas esboçar, de forma bem geral, as condições nas quais as classes dominadas têm tentado resistir a tal ataque. Vejamos uma tese recentemente defendida por nós[2]:

O proletariado enfrenta essa ofensiva burguesa em condições muito desfavoráveis, fortemente atingido pelo desemprego, pela redução de salários e pela deterioração de suas condições de vida; com baixo nível de organização para a luta sindical; e sem sua organização política, isto é, sem posição própria na luta de classes. A esmagadora maioria das centrais sindicais, dos sindicatos e dos chamados “movimentos populares” assume posições reformistas/revisionistas, de conciliação de classes e de união nacional, quando não posições abertamente burguesas na luta de classes. Decorrente dessas posições, sua atuação concreta vai da defesa do governo Dilma (MTST: embora criticando sua política de conciliação de classes e/ou seus “erros”!?), dos elogios aos militares (MST), dos acordos com empresas para efetivar demissão de trabalhadores, até todos os tipos de negociatas e conchavos institucionais

Para buscar desenvolver e aprofundar tais teses, este texto tenta lançar luz sobre o movimento sindical brasileiro, sua estrutura, principais correntes e limitações para enfrentar a mais nova ofensiva capitalista. No entanto, antes de entrar na conjuntura, avaliamos que é preciso compreender como a teoria marxista vê o sindicalismo na luta contra o capital.

Luta Econômica e Sindicalismo

domingo, 11 de junho de 2017

A Ilusão da jurisprudência

Em 16 de abril esse blog publicou o artigo Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil. Na apresentação dessas teses, indicamos o objetivo de avançar na "análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista". E afirmamos o que consideramos uma das características fundamentais para atingir esse objetivo: "sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento".

Nesse mesmo trabalho, a partir da tese geral de que todos os eventos econômicos, políticos e sociais no país têm como determinante em última instância a crise do capital no Brasil, afirmamos a seguinte tese específica:
6) No ambiente de crise se agrava a contradição entre, por um lado, a ideologia jurídica burguesa (respeito às leis, igualdade, justiça etc.) e os seus “operadores” no aparelho repressivo de Estado (Poder Judiciário do juizado de 1ª instância ao STF, Ministério Público e Polícia Federal) e, por outro, a prática cotidiana dos negócios da burguesia, no Brasil e no mundo: corrupção, fraude, suborno, carteis etc. A operação Lava Jato, inicialmente fato contingente na conjuntura política, passa a definir programa próprio, detalhado e sequencial, de atingir a atual representação política da burguesia e substituí-la por uma nova, “ficha limpa” (sic!), buscando legitimar a dominação capitalista;

Com o objetivo de contribuir na análise dos fatos recentes da conjuntura brasileira e na compreensão do que é a ideologia jurídica burguesa, reproduzimos abaixo o texto A Ilusão da jurisprudência, de Marcio Bilharinho Naves, recém publicado no site LavraPalavra.


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A Ilusão da jurisprudência


Marcio B. Naves

“...pretender dar uma definição da propriedade
como uma relação independente,
uma categoria à parte, uma idéia abstrata
e universal —isso não pode ser
mais que uma ilusão
da metafísica ou da jurisprudência”
(Marx, 1989: 143)

Resumo: Quando a luta popular é dominada pelas representações oriundas do campo da ideologia jurídica, ela apenas reproduz as formas de sua própria subordinação ao processo do capital. O “esquecimento” da tese de Marx e Engels sobre a incompatibilidade absoluta entre o comunismo e o direito conduz a esquerda aos velhos caminhos do “socialismo jurídico”.

terça-feira, 30 de maio de 2017

A Crise do Governo Temer, ou Governando com o Esgoto a Céu Aberto III


Cem Flores

Alguns leitores deste blog Cem Flores poderão se perguntar o porquê do “III” no título deste artigo. É que a imundície da corrupção, inerente ao capitalismo e aos seus governos burgueses, já nos levou a escrever duas outras vezes com esse mesmo título, tratando dos governos Lula (“I”) e Dilma (“II”). Vejam nos links abaixo:


- Agora... A Crise do Governo Dilma, ou Governando com o Esgoto a Céu Aberto II (de 20.11.2014): http://cemflores.blogspot.com.br/2014/11/agora-crise-do-governo-dilma-ou.html.

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A pergunta, então, passaria a ser outra: por que este seria apenas o artigo “III”? A rigor, esta é ou poderia ser a enésima matéria criticando, de um ponto de vista comunista, a corrupção desenfreada dos governos Temer, Dilma, Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney, dos ditadores militares, Jango, JK, Getúlio etc. Isso apenas para ficarmos nos governos federais a partir da segunda metade do século XX e para tratarmos somente dos casos brasileiros. No mundo, e só como um breve exemplo de casos recentes, temos o impeachment por corrupção da presidente Park Geun-hye na Coréia do Sul; a denúncia de nepotismo que eliminou as chances de François Fillon na corrida presidencial francesa; o processo contra o ex-primeiro ministro português José Sócrates (corrupção, fraude fiscal qualificada e lavagem de dinheiro), a renúncia do ministro da economia japonês Akira Amari após denúncias de corrupção e suborno, entre infinitos outros etc.

O ponto que devemos destacar é que quem diz capitalismo – além de dizer exploração das classes dominadas – está, necessariamente, dizendo também corrupção das classes dominantes. Esta é uma regra de ouro, inescapável, deste modo de produção.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Falta um programa para as mulheres.

Reproduzimos abaixo, por sua importância para nossa compreensão teórica e prática sobre essa questão, artigo de Ana Barradas publicado originalmente no blog Bandeira Vermelha. O original pode ser acessado aqui.


Falta um programa para as mulheres.

Ana Barradas.

Alguns comunistas deixam-se cegar pela indignação ao verem-se compara­dos com quaisquer outros homens no que refere à questão feminina. Com isso não conseguem divisar o que há de verdadeiro nas afirmações segundo as quais também entre eles se reproduzem algumas das taras da sociedade patriarcal. Como tratar na táctica e na acção imediata os problemas concretos da emancipação da mulher, dando-lhes expressão na política, em vez de os adiar para depois da revolução?

A corrente das “feminis­tas marxistas” tem procurado clarificar e tornar mais consistentes alguns postulados de Marx e Engels, a partir da análise das condi­ções actuais, por considerar que só o aprofundamento teórico da questão da mulher poderá indicar novos caminhos. E tem chegado a conclusões que, baseadas em debates, em ensaios e estudos e na própria experiência dos movimentos de libertação da mulher nos países ocidentais, parecem abrir caminho a uma inovadora compreensão do problema. Ainda que a falta de audiência e visibilidade de que padece esse feminismo crítico, muito encerrado nos meios intelectuais e entre mulheres da pequena burguesia, atenue os seus efeitos junto de uma audiência mais vasta, há que reconhecer- lhe algum mérito. Ele parte de pressupostos como:

terça-feira, 9 de maio de 2017

100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo” - Dani Nabudere e a Economia Política do Imperialismo

Dani Wadada Nabudere (1932-2011)
O blog Cem Flores retoma, com esta publicação, a sua série de textos sobre os 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, obra fundamental e absolutamente atual de Lênin para a compreensão do capitalismo contemporâneo e sua crise. Obra que também ilumina os caminhos da luta da classe operária no mundo todo.

Dessa série já foram publicados três textos anteriormente:

- Nos 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, Discutir o Imperialismo e Sua Crise Continuam Tarefas Fundamentais dos Comunistas (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html), publicado em outubro de 2016, com uma apresentação do Blog Cem Flores aos prefácios e dois capítulos da obra de Lênin;

- 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Um Discurso do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre o Imperialismo (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/11/100-anos-de-imperialismo-fase-superior.html), novembro de 2016, com uma análise do Cem Flores sobre a posição do KKE sobre o imperialismo hoje; e

- Francisco Martins Rodrigues: sobre a atualidade do conceito de Imperialismo (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/12/francisco-martins-rodrigues-sobre.html), dezembro de 2016, com uma avaliação do Cem Flores sobre um texto de 2003 de FMR em que se discute a atualidade das características da definição leninista do Imperialismo.

Neste post, queremos trazer para a discussão e o debate com os camaradas e leitores do Blog trechos da obra “A Economia Política do Imperialismo”, de 1975, de Dani Wadada Nabudere (1932-2011)[1]. Nacional de Uganda, Nabudere iniciou sua militância política no exílio inglês como membro do Comitê Executivo da Associação de Estudantes de Uganda no Reino Unido, em 1961. De volta à Uganda independente, em 1964, juntou-se ao partido nacionalista Congresso do Povo de Uganda. Por sua militância comunista, foi expulso em 1965 e ajudou a fundar o primeiro partido Maoísta do país, além do Comitê de Solidariedade Uganda-Vietnã. Preso em 1969 por um suposto “complô comunista”, foi solto em 1971.

sábado, 29 de abril de 2017

A Greve Geral Contra as “Reformas” do Capital: os trabalhadores se levantam!


Largo da Batata/São Paulo-SP
Blog Cem Flores


Ônibus parados nas garagens. Trens e metrôs funcionando precariamente. Manifestações em aeroportos. Bloqueios em rodovias. Escolas sem aulas. Trabalhadores fora dos seus locais de trabalho, se manifestando nas ruas e nas praças país afora. Repressão das forças policiais do aparelho repressivo do estado burguês. 

Isso foi o que aconteceu nessa sexta, dia 28 de abril, quando os trabalhadores praticamente pararam o Brasil, de norte a sul, por um dia. 

Pararam para resistir contra a ofensiva do capital que se traduz no desemprego, na retirada de conquistas e na piora de suas condições de vida. Mais concretamente, greve geral contra as “reformas” da previdência e trabalhista. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

James Petras e a capitulação recente das guerrilhas - António Barata




Publicamos em 29/03 o artigo Colômbia, Oriente Médio e Ucrânia. Acordos de Paz ou Rendição Política?, de James Petras, que pode ser acessado aqui
Reproduzimos agora o artigo de António Barata James Petras e a capitulação recente das guerrilhas, com uma pertinente crítica ao texto de Petras, em nossa opinião. Consideramos o artigo de António Barata uma importante contribuição ao tema e recomendamos a leitura aos camaradas e leitores do blog. O original está publicado no blog Bandeira Vermelha e pode ser acessado aqui.

James Petras e a capitulação recente das guerrilhas

António Barata

Em texto recente James Petras faz uma análise contundente aos resultados dos acordos de paz estabelecidos entre as diversas formações de esquerda que resistiram à vaga de abandono da luta armada que se sucedeu ao derrube do regime sandinista, à derrota das guerrilhas salvadorenha e guatemalteca, que varreu as décadas de 80 e 90, não se deixando na altura iludir com a democratização das “ditaduras” nem abater pela implosão do bloco soviético.

sábado, 22 de abril de 2017

“A trincheira do comunismo nunca pode ser abandonada” (FMR)

Em homenagem aos 9 anos da morte de Francisco Martins Rodrigues reproduzimos abaixo o texto da camarada Ana Barradas, publicado no blog Bandeira Vermelha.

Ana Barradas

Hoje, 22 de Abril, faz 9 anos que faleceu Francisco Martins Rodrigues. Falar de FMR é falar de uma vida que se orientou desde cedo numa única direcção da qual nunca se afastou: a luta por uma sociedade livre de exploração em que a classe operária pudesse derrubar a burguesia, desenvolver-se e criar o seu próprio sistema de poder.

Mas este trajecto de mais de 60 anos de militância comunista confrontou-se com várias fases de consciência revolucionária. Nos diversos patamares dessa consciência, registaram-se rupturas profundas. É análise dessas sucessivas rupturas que nos dá o traço da evolução de um pensamento que nunca se fixou em dogmas.

A primeira foi a crítica ao engodo do PCP pela unidade com os democratas e o abandono da aliança operário-camponesa.

domingo, 16 de abril de 2017

Teses Sobre a Crise do Capital e a Luta de Classes no Brasil

Cem Flores

Neste texto queremos apresentar para o debate entre os camaradas do Cem Flores e nossos companheiros leitores a primeira parte de uma análise da conjuntura brasileira atual que busque se realizar de forma científica – utilizando, portanto, a teoria marxista – e a partir do ponto de vista da classe operária em sua luta por libertar-se da opressão capitalista.

Achamos que para sermos bem sucedidos nessa empreitada, devemos buscar unir as cinco características fundamentais abaixo enunciadas:

1) sempre buscar um maior domínio da teoria marxista, almejando conseguir contribuir para o seu desenvolvimento. Ou seja, tornar o estudo do marxismo um elemento indissociável da atividade militante, comunista e revolucionária;

2) participar das lutas e da vida cotidiana da classe operária, para compreender melhor a realidade da luta de classes do ponto de vista dos dominados e oprimidos pelo capital;

3) buscar um amplo e detalhado conhecimento da realidade a ser analisada, em suas várias dimensões, abrangendo o cipoal de fatos díspares e por vezes contraditórios que preenchem o seu dia-a-dia;

4) criticar sem tréguas as teorias e análises burguesas/revisionistas/reformistas que predominam na sociedade atual, que constituem sua ideologia dominante e seu “senso comum”, que servem à manutenção da ordem burguesa, “justificando” a exploração das classes dominadas;

5) a partir dos itens acima, elaborar uma análise geral da conjuntura, marxista e proletária, que permita explicar seus determinantes mais profundos, expor suas contradições e analisar suas tendências principais. A partir dessa explicação mais geral, analisar os fatos cotidianos e definir a correta linha de atuação da organização e dos seus militantes nas frentes concretas.

Nos é claro que ainda não somos capazes de cumprir plenamente, todos os requisitos acima para a realização da necessária análise comunista da conjuntura econômica, social e política do Brasil. Mas eles servem de guia para nossa atuação, autocrítica e aprofundamento da análise. Quão distante ainda estamos desses objetivos, e quão retificadas portanto devem ser as teses abaixo, são temas aos quais conclamamos os camaradas e leitores a avaliar e debater conosco.


sexta-feira, 14 de abril de 2017

O blog Bandeira Vermelha mudou de endereço eletrônico

https://bandeiravermelhablog1.wordpress.com
O blog Bandeira Vermelha, blog internacional de debate comunista, mudou de endereço eletrônico. De acordo com seus editores "o blog Bandeira Vermelha sofreu um ataque que obrigou a refazê-lo na totalidade. Como medida de segurança alterámos os anteriores endereços electrónicos".
Seu novo endereço eletrônico é https://bandeiravermelhablog1.wordpress.com.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Uma Intervenção Sobre a Conjuntura Mundial da Crise do Imperialismo

http://www.demystification.fr
O Blog Cem Flores divulga importante intervenção sobre a conjuntura mundial da crise do imperialismo, publicada por Tom Thomas em dezembro de 2015. A tradução do original em francês é da camarada Ana Barradas. Estamos convictos que, passado um ano e meio da redação desse documento, sua atualidade permanece intacta. Daí a importância da leitura e do debate comunista entre camaradas e leitores deste Blog.

A crise do imperialismo, aberta em 2007/08, traz uma novidade histórica de acordo com Tom Thomas: o «esgotamento da quantidade de trabalho social empregue na produção de mais-valia», devido ao elevadíssimo nível de acumulação de capital fixo, de composição orgânica do capital, alcançado pelo capitalismo. Por essa razão, o processo de acumulação de capital não consegue mais gerar ganhos de produtividade, mais-valia relativa, estagnando e/ou fazendo declinar a taxa de lucro. A acumulação produtiva, portanto, se interrompe e, com ela, os investimentos e o crescimento econômico. Daí a crise e a estagnação que vivemos já faz uma década.

Tom Thomas mostra que, apesar disso, o capital permanece com sua necessidade imperiosa, intrínseca, de valorizar-se. Aponta, então, duas tentativas de saída. Uma, a geração desenfreada de capital fictício – desde emissões monetárias de trilhões de dólares dos bancos centrais até recordes alcançados pelas bolsas de valores. Essa «bolha», que se revela ainda maior que a anterior, gera lucros (igualmente fictícios) sem passar pelo processo produtivo, geração de mais-valia («D–D’»). Parte desses lucros financiam sucessivas rodadas de centralização de capitais, aumentando ainda mais o poder dos monopólios.

A outra saída do capital é voltar-se contra as classes produtoras, buscando aumentar de todas as formas a mais-valia absoluta. Nas palavras do autor, «degradação sistemática da condição proletária». Em trechos que têm fundamental relevância para a luta de classes no Brasil atual, Tom Thomas detalha esse caráter essencial, constitutivo, das mal-chamadas «políticas de austeridade» e «reformas estruturais».

segunda-feira, 3 de abril de 2017

A Crise Atual Representa a Ofensiva do Capital Contra o Proletariado em Todas as Frentes. É Preciso Resistir!

Cem Flores

Na semana passada, a classe operária e as demais classes dominadas foram novamente golpeadas com duas notícias sobre a continuidade da crise no Brasil.

Na quinta, 30 de março, Temer sancionou o projeto aprovado na Câmara dos Deputados tornando lei a terceirização irrestrita. Até a própria imprensa burguesa teve que reconhecer que a nova lei não tem “salvaguarda para o trabalhador[1].

Na sexta, dia 31, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego até fevereiro bateu novo recorde, chegando a 13,2%. Isso significa 13,5 milhões de trabalhadores desempregados, sendo que 3,2 milhões perderam seus empregos apenas nos últimos 12 meses. A única coisa que aumentou para mais de meio milhão de trabalhadores foi a informalidade, os bicos, ou o número de “empregados no setor privado sem carteira de trabalho assinada”, na “elegante” (sic!) definição do IBGE[2].

Esses fatos da semana passada confirmam que a conjuntura na qual o proletariado luta e resiste continua sendo a conjuntura de crise do capital, que está provocando a maior recessão no país em mais de um século, ainda longe de terminar, ao contrário do que diz a propaganda do governo.

A crise do capital no país integra a (é parte da) crise do imperialismo que se agravou em 2007/2008 e tem se expandido desde seu foco inicial nos Estados Unidos, passando para a Europa (que afundou numa segunda rodada de crise a partir de 2011) e atinge mais recentemente a China, provocando desaceleração em suas taxas de crescimento (acumulação de capital) e agravamento de suas contradições. A crise reduziu o dinamismo da acumulação de capital no mundo e acirrou a concorrência entre os capitais. Assim, tem provocado redefinições na divisão internacional do trabalho. Um impacto direto dessa redefinição em curso foi o estouro da “bolha” de commodities, que impacta diretamente a acumulação e lucratividade dos setores capitalistas mais dinâmicos do país, como o agronegócio e a indústria extrativa mineral, ambas para exportação.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Colômbia, Oriente Médio e Ucrânia. Acordos de Paz ou Rendição Política?

James Petras
18/03/2017
Há uns trinta anos atrás, um sagaz camponês colombiano me disse: “Quando ouço falar de acordos de paz, escuto o governo a amolar suas facas”.

Introdução
Ultimamente tem-se falado muito dos acordos de paz em todo o mundo. Em quase todas as regiões ou países que sofrem de guerra ou invasão se menciona a possibilidade de negociar "acordos de paz". Em muitos casos, estes vieram a ser assinados e, todavia, não conseguiram acabar com os assassinatos e o caos provocados pela parte beligerante apoiada pelos Estados Unidos.
Vamos brevemente rever algumas dessas negociações do passado e do presente para compreender a dinâmica dos "processos de paz" e os resultados posteriores.

terça-feira, 21 de março de 2017

Contra o muro, contra o imperialismo… Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.

Reproduzimos abaixo, traduzido, artigo do Partido Comunista do México (PCM), que trata da iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump de construir um muro entre o México e os EUA. Consideramos importante a leitura desse material pois, além da denúncia sobre as intenções capitalistas por trás dessa iniciativa, o artigo apresenta também uma crítica correta à tese da "unidade nacional" na oposição à iniciativa de Trump. O original pode ser acessado aqui.
Como está dito no texto do PCM "a história nos ensina como ao longo do século XX, nas ocasiões em que a classe operária adotou a 'unidade nacional', hipotecou a sua independência como classe subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar os seus lucros e afirmar a sua dominação."
No Brasil sabemos bem os males que as teses de "unidade nacional" causaram à luta da classe operária e dos trabalhadores, nos colocando a reboque de uma pretensa burguesia "nacional" na luta contra o capital estrangeiro, o imperialismo etc. Hoje, essas teses, requentadas, são apresentadas novamente a partir da indicação aos trabalhadores brasileiros a apoiarem uma aliança com um pretenso setor "desenvolvimentista" do capital em contradição contra um suposto setor puramente "especulativo". Lenin já mostrava há mais de 100 anos que o capital financeiro é a fusão do capital bancário com o capital produtivo...
Já publicamos também em nosso blog uma aprofundada crítica a essa tese, exposta no livro O Anti-Dimitrov, do dirigente comunista português Francisco Martins Rodrigues, que pode ser acessada aqui.
Essa posição burguesa no seio da classe operária e dos trabalhadores enfraquece nossa capacidade e necessidade de organizar a resistência contra a ofensiva do capital monopolista (especulativo e produtivo), principalmente com o aprofundamento da crise do imperialismo. Lutar contra a ilusão burguesa da "unidade nacional", denunciando-a e expondo sua real intenção é parte do caminho necessário à luta e organização de nossa classe.
Cem Flores.
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Contra o muro, contra o imperialismo… 
Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.
01/02/2017


Tal como anunciou na sua campanha, o Presidente dos EEUU, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para a construção do muro na fronteira entre o seu país e o nosso, com o propósito expresso de conter a migração de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a força de trabalho nos distintos ramos da produção e os serviços nessa nação norte-americana.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo - V. I. Lenin.

rosa-luxemburgo.jpg
Dando continuidade às homenagens ao Dia Internacional da Mulher, apresentamos agora um breve artigo de Lenin, de 1919, no qual ele apresenta resumidamente as iniciativas tomadas na União Soviética após a revolução, medidas práticas focadas em retirar a mulher da escravidão doméstica e deixa-la livre para se inserir no processo revolucionário.
É importante destacar a vinculação que Lenin estabelece da construção do comunismo com a emancipação da mulher: "A verdadeira emancipação da mulher, o verdadeiro comunismo, só começará onde e quando comece a luta das massas (dirigida pelo proletariado, que detém o poder do Estado), contra a pequena economia doméstica ou melhor, onde comece a transformação em massa dessa economia na grande economia socialista."
Cem Flores


A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo[1]
V. I. Lénine
28 de Julho de 1919 

Tomemos a situação da mulher. Nenhum partido democrático do mundo, em nenhuma das repúblicas burguesas mais progressistas, realizou a esse respeito, em dezenas de anos, nem mesmo a centésima parte daquilo que nós fizemos apenas no primeiro ano de nosso poder. Não deixamos literalmente pedra sobre pedra de todas as abjetas leis sobre as limitações dos direitos da mulher, sobre as restrições do divórcio, sobre as odiosas formalidades às quais estava vinculado, sobre a possibilidade de não reconhecer os filhos naturais, sobre a investigação de paternidade etc., leis cujas sobrevivências, para vergonha da burguesia e do capitalismo, são muito numerosas em todas os países civilizados. Temos mil vezes o direito de estar orgulhosos daquilo que fizemos nesse terreno. Mas quanto mais limparmos o terreno do entulho das velhas leis e instituições burguesas, melhor vemos que com isso apenas limpamos o terreno para construir e não empreendemos ainda a própria construção.