quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Francisco Martins Rodrigues: sobre a atualidade do conceito de Imperialismo.


Essa postagem continua as publicações que o Blog Cem Flores vem fazendo para celebrar o primeiro século do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Já publicamos trechos do livro de Lênin (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html) e também o discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia, KKE (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/11/100-anos-de-imperialismo-fase-superior.html) sobre o imperialismo. Para cada uma dessas postagens, preparamos apresentações dos textos, buscando ressaltar seus aspectos mais importantes e debater suas formulações, sempre visando discutir a atualidade do conceito leninista de Imperialismo.

O blog Escritos de uma Vida (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/) tem publicado uma grande quantidade de escritos do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues[1]. Em 1º de agosto desse ano, publicou o artigo “Os Clássicos e o Imperialismo: que atualidade?” (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/08/01/os-classicos-e-o-imperialismo-que-actualidade/), de 2003, cujo objetivo também era o de “continuar o debate sobre estas novas questões e procurar indicar alguns traços fundamentais da nossa época” a partir da obra de Lênin, “síntese paradigmática da interpretação do imperialismo”. Ou seja, a mesma discussão que estamos travando entre os nossos camaradas e que queremos estimular entre os leitores: discutir a atualidade e a necessária atualização da análise leninista do Imperialismo e seu caráter imprescindível para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais.

Os Cinco Traços Fundamentais do Imperialismo e sua Atualidade

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Marighella presente!

Em 05 de dezembro de 1911 nascia em Salvador, Bahia, o dirigente comunista Carlos Marighella. Cem Flores apresenta  no vídeo abaixo uma pequena homenagem ao comandante revolucionário. Sua vida é, para nós, um exemplo a todos os revolucionários do Brasil e do mundo.

video

Acesse aqui o link para o vídeo no Youtube.

domingo, 27 de novembro de 2016

Morreu um revolucionário. Viva a Revolução!

"É possível que muitos comecem agora a compreender a Revolução em todo o seu significado e em toda a sua grandeza, porque, inclusive, essa era uma palavra muito em voga, muito repetida e que para muitas pessoas não tinha senão um significado sonoro, uma ideia confusa, porque, inclusive, se chamava revolução a qualquer coisa e qualquer um se chamava de revolucionário. E parecia fácil uma revolução e, no entanto, uma revolução não é uma tarefa fácil. Uma revolução não é um acontecimento simples na história de um povo. Uma revolução é um acontecimento complexo e difícil, e que tem, além disso, a virtude de ser uma grande mestra, porque vai nos ensinando durante sua marcha, e sua marcha vai fortalecendo a consciência do povo e sua marcha nos vai ensinando o que é uma revolução" (24/02/1960)[1].

"A classe operária a mantinham impotente, a mantinham dividida, não lutando pelas verdadeiras metas pelas quais deve lutar a classe operária. E vocês sabem qual é a primeira meta pela qual deve lutar a classe operária, a única meta pela qual deve lutar fundamentalmente uma classe operária em um país moderno? Pela conquista do poder político! Porque a classe operária é uma classe absolutamente majoritária, a classe operária é a classe fecunda e criadora, a classe operária é a que produz quanta riqueza material exista num país. E enquanto o poder não esteja em suas mãos, enquanto a classe operária permita que o poder esteja nas mãos dos patrões que a exploram, dos latifundiários que a exploram, dos monopólios que a exploram, dos interesses estrangeiros ou nacionais que a exploram, enquanto as armas estejam nas mãos da camarilha a serviço desses interesses e não nas suas próprias mãos, a classe operária estará condenada, em qualquer parte do mundo, a uma existência miserável, por muitas que sejam as migalhas que, da mesa da festa, os grandes interesses e os grandes privilégios lancem sobre ela" (14/12/1960)[2].

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

99º Aniversário da Revolução Bolchevique.

Hoje, 07 de novembro de 2016, celebramos os 99 anos da Revolução Bolchevique. Reproduzimos abaixo a postagem realizada pelos camaradas comunistas galegos do Primeira Linha em homenagem a essa data. Optamos por manter o texto em galego original, língua que é a expressão da luta desse aguerrido povo contra o domínio colonial espanhol. A postagem original pode ser acessada aqui.



99 aniversário da Revoluçom Bolchevique
COMUNISMO, ÚNICA ALTERNATIVA ANTICAPITALISTA

A tomada do poder polo proletariado russo dirigido polo partido bolchevique de Lenine em outubro de 1917 é um dos factos históricos mais relevante da história da humanidade.

Por primeira vez a classe trabalhadora, logo da efémera experiência da Comuna de Paris de 1871, em 1917 logra fundar o primeiro Estado operário da história da humanidade. A aliança operário-camponesa sob a hegemonia ideológica do proletariado derrota a ditadura burguesa e senta as bases para a construçom de umha nova sociedade visada para superar a propriedade privada e as relaçons mercantis.

@s bolcheviques demonstrárom que sim é possível tomarmos o céu por assalto, que sim é possível derrotar a maquinária militar imperialista, que sim é possível sentar as bases para  erguermos esse mundo novo sonhado, essa sociedade sem exploraçom, sem opressom, sem dominaçons, o que seguimos chamando Socialismo/Comunismo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”

Um Discurso do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre O Imperialismo

02.11.2016

Acesse aqui em pdf

No final do mês de outubro passado, o Blog Cem Flores publicou trechos do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, precedido de uma pequena apresentação (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html). Nela, destacamos a atualidade da análise leninista do imperialismo, bem como seu caráter necessário para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais, e sugerimos alguns pontos para o aprofundamento do estudo do tema e para a discussão entre camaradas e leitores.

Achamos que é preciso continuar essa discussão. Trazemos agora para o debate um recente discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre o tema do Imperialismo, também por ocasião do centenário de publicação do livro de Lênin. Da mesma maneira que no post anterior, também preparamos uma pequena introdução na qual buscamos levantar alguns pontos do texto que achamos principais para o nosso debate comunista.

Para apresentar esses temas de uma forma mais organizada, buscamos agregá-los em três tópicos principais: o resgate de princípios comunistas, as formulações próprias do KKE e os pontos atuais que é preciso desenvolver.

Resgate de Princípios Comunistas

A classe operária e os comunistas vivem, faz várias décadas, “em tempos de maré baixa” – para emprestarmos uma expressão do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/02/27/accao-comunista-em-tempos-de-mare-baixa/). Nesse período vimos o reformismo e o oportunismo sobrepujarem a linha revolucionária nos partidos comunistas; a ação revolucionária das massas proletárias praticamente desaparecer; a luta sindical converter-se, em sua absoluta maioria, em um jogo de cena entre pelegos e patrões; e o horizonte da ação política da classe operária se reduzir aos seus limites mais miseráveis, meras mobilizações institucionais ou campanhas eleitorais.

Nessa conjuntura, os princípios comunistas estão praticamente esquecidos pela quase totalidade da classe operária e mesmo pela maioria absoluta dos operários de vanguarda e militantes honestos e sinceros. O resgate e a afirmação desses princípios comunistas, portanto, não só é necessário como nos parece indispensável.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nos 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, Discutir o Imperialismo e Sua Crise Continuam Tarefas Fundamentais dos Comunistas

Capa original do livro Imperialismo.

No centenário da publicação de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, o blog Cem Flores reproduz, a seguir, os prefácios e dois capítulos do livro como nossa forma de homenagear Lênin: discutindo a atualidade de seu pensamento e ação militante e sua importância para a luta comunista neste início de século XXI.

Muito embora Lênin tenha chamado seu livro de um “esboço popular”, e não obstante os mares de tinta que se escreveram a respeito do imperialismo nesse século, avaliamos que a análise de Lênin permanece insuperável. Temos plena consciência do que essa avaliação implica em termos da fragilidade teórica dos comunistas de avançarem e desenvolverem o legado de Marx, Engels e Lênin.

Nos prefácios que reproduzimos abaixo, Lenin afirmava que acalentava a esperança de que a publicação d`O Imperialismo ajudaria na “compreensão de um problema econômico fundamental, sem cujo estudo é impossível compreender seja o que for e formar um juízo sobre a guerra e a política atuais: refiro-me ao problema da essência econômica do imperialismo”.

Já os dois capítulos que transcrevemos abaixo buscam resumir a definição leninista de imperialismo (capítulo 7) e abordam as tendências ao parasitismo e à decomposição do imperialismo, assim como do seu papel para o fortalecimento de tendências oportunistas no movimento operário e comunista (capítulo 8).

Quanto à formulação econômica do conceito de imperialismo, a conjuntura atual parece reforçar as principais tendências apontadas por Lênin em 1916. O nível de centralização do capital nos grandes monopólios, o fortalecimento do capital financeiro e o montante das exportações de capital atingem patamares inéditos. A crise do imperialismo, agravada em 2007/2008 e sem qualquer sinal de saída à vista, tem acentuado ainda mais todas essas tendências.

Ao mesmo tempo, a atuação desses monopólios nas últimas décadas efetivamente criou espaços transnacionais de montagem e produção de mercadorias, com as diversas etapas de seu beneficiamento podendo ocorrer em diversos países e continentes. O resultado óbvio desse processo é uma forte tendência à equalização e ao rebaixamento das condições de produção, do ponto de vista do proletariado e das demais classes dominadas, ao redor do mundo.

Com base na atuação dos capitais monopolistas, os Estados imperialistas buscam manter e expandir suas áreas de influência, garantir o pleno funcionamento dessas cadeias produtivas e o fornecimento ininterrupto e a preços baixos de matérias-primas. Razões de segurança dos Estados imperialistas se imbricam com a rentabilidade do capital e ambas se reforçam. A tendência à guerra sempre que se coloca em causa a repartição existente do mundo é o que mais se tem visto nesse século transcorrido desde a publicação do Imperialismo.

Em suma, o sistema imperialista domina integralmente o mundo atual, cria uma economia mundial englobando todos os países. Sem exceções. Em sua configuração, o sistema parqueia cada país e seus capitais em posições distintas, que tentamos resumir na dualidade dominante/dominado, a partir de uma divisão internacional do trabalho em constante definição e repactuação.

domingo, 16 de outubro de 2016

Correspondências

Cem Flores recebeu da camarada Ana Barradas, em setembro passado, a carta intitulada Aprender a Sobreviver no Deserto. Nessa carta a camarada relata a crise que vive o marxismo no mundo, o deserto a atravessar, e afirma: "Há que fazer a travessia do deserto, mas é o único caminho, não há outro". O objetivo "dos proletários de todo o mundo unidos para instaurar a sua ordem contra quem os oprime é a meta a alcançar".
Após um diálogo travado com um camarada do Cem Flores, Ana desenvolve sua análise em uma segunda carta enviada a esse companheiro.
Reproduzimos abaixo as duas cartas por considerarmos que contribuem para entender a crise que atravessa o marxismo, auxiliando na tarefa imprescindível de retomá-lo, teoricamente e na prática, para reconstruir o partido comunista e impulsionar a revolução proletária.
Acesse aqui em pdf.


APRENDER A SOBREVIVER NO DESERTO

Nos nossos dias, muitos aqueles que se designam a si próprios como marxistas-leninistas ou comunistas alinham com forças reformistas sem se porem questões sobre os resultados e estratégicos dessas alianças.

Acham graça a todas as inovações pseudomarxistas que puxam a classe operária mais para baixo e a pequena burguesia mais para cima. Alinham com a domesticação e institucionalização das organizações operárias, sem se indignaram com a sua criminalização e submissão à legislação capitalista que os sindicatos reformistas procuram dirimir, em vão. As “luminárias” marxistas dos dias de hoje desconhecem ou não se interessam pelas lutas nas fábricas, reduzidas à sua ínfima expressão pelo isolamento em que foram deixadas cair.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

152 Anos da Associação Internacional dos Trabalhadores: a atualidade e lições de sua Mensagem Inaugural.

Neste mês se comemora os 152 anos do surgimento da Associação Internacional dos Trabalhadores, esse esforço heróico e original do proletariado mundial em sua luta contra o capital. Os comunistas e fundadores do marxismo foram desde o início dedicados militantes e dirigentes dessa organização, colaborando, através da luta política e ideológica com outras correntes do movimento operário, para que a classe cumprisse seu objetivo: emancipar-se por conta própria. A "1ª Internacional" acabou em 1872, sendo um marco sobre o qual iriam partir as posteriores iniciativas internacionalistas da classe operária.

Abaixo reproduzimos a Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores, de Karl Marx (Obras Escolhidas, Editorial Avante!, Tomo II), de 1864, ano da fundação da Associação. Marx, um de seus principais dirigentes junto com Engels, também redigiria seus estatutos.

A mensagem, como verão, é espantosa pela sua atualidade. Primeiro por apontar uma tendência geral do capitalismo que vem se reforçando globalmente no atual momento histórico: a constituição de um pólo da sociedade em prosperidade e outro em constante miséria. Como diz o Chanceler do Tesouro Público da época na caneta de Marx: "Este inebriante aumento de riqueza e poder está inteiramente confinado às classes possidentes!". No capitalismo não é possível um desenvolvimento igualitário entre as classes pois "os senhores da terra e os senhores do capital sempre usarão os seus privilégios políticos para defesa e perpetuação dos seus monopólios económicos. Muito longe de promover, continuarão a colocar todo o impedimento possível no caminho da emancipação do trabalho.”. Ou seja, sem colocar em questão o poder das classes dominantes, através de um "concurso fraterno", longe dos "preconceitos nacionais”, tudo é ilusão. Nas palavras de Marx na mensagem "conquistar o poder político tornou-se, portanto, o grande dever das classes operárias."

A mensagem também é brilhante ao destruir, há mais de 150 anos atrás, qualquer ilusão reformista com o desenvolvimento econômico capitalista como alternativa para a classe operária e os trabalhadores, ilusão hoje tão presente nas organizações ditas de “esquerda”:

"Em todos os países da Europa, tornou-se agora uma verdade demonstrável a todo o espírito sem preconceitos e apenas negada por aqueles cujo interesse está em confinar os outros a um paraíso de tolos que nenhum melhoramento da maquinaria, nenhuma aplicação da ciência à produção, nenhuns inventos de comunicação, nenhumas novas colónias, nenhuma emigração, nenhuma abertura de mercados, nenhum comércio livre, nem todas estas coisas juntas, farão desaparecer as misérias das massas industriosas; mas que, na presente base falsa, qualquer novo desenvolvimento das forças produtivas do trabalho terá de tender a aprofundar os contrastes sociais e a agudizar os antagonismos sociais.”

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Retomar os princípios comunistas

Reproduzimos abaixo nossa resposta à carta que recebemos da camarada Ana Barradas
Acesse aqui o pdf em português e em espanhol.


Estimada camarada Ana Barradas,

Recebemos com satisfação a tua carta, esse teu chamado à tão necessária luta comunista nos dias que correm e ao reagrupamento daqueles que defendem as posições revolucionárias proletárias e a publicamos em nosso blog[1]. Ao ratificar que estamos de acordo com essa Iniciativa, queremos também aproveitar para contribuir com ela, expondo brevemente os pontos iniciais que achamos importantes para o nosso debate.

Retomar os princípios comunistas

Construção da hegemonia do proletariado pela aliança com as massas semiproletárias e pela sua demarcação crítica face à pequena burguesia”, “necessidade de um partido proletário para a revolução”, “expropriação da burguesia através do estabelecimento da ditadura revolucionária do proletariado”, “é necessário ... combater o centrismo e o revisionismo, aclarar conceitos teóricos e repor o marxismo na sua pureza”, dizes tu.

necessidade de reconstruir o partido revolucionário do proletariado em nosso país e para isto cumprir três tarefas fundamentais. Primeira, retomar o marxismo-leninismo no nível do desenvolvimento em que se encontra hoje ... Segunda, reconstruir o partido revolucionário, unidade indissolúvel da teoria e da prática. Terceira, aprofundar nossas ligações com as massas dentro do princípio de que só as massas dirigidas pela classe operária e seu partido, armado da teoria revolucionária, podem fazer a revolução”, “retomar o marxismo-leninismo combatendo o reformismo e revisionismo”, dizemos nós[2].

Para nós, os pontos de partida, mínimos, sobre os quais os comunistas devem se colocar de acordo e praticar cotidianamente parecem ser exatamente esses. Nos apropriarmos cada vez mais da teoria científica e revolucionária do proletariado, o marxismo-leninismo, sem a qual não há prática revolucionária. Aprofundarmos nossa ligação com a classe operária e as demais classes dominadas como guia para nossa ação cotidiana e sua permanente retificação. Combater a ideologia burguesa e sua influência no proletariado, em todas as suas manifestações, mas especialmente travar um combate sem tréguas, teórico e prático, ao reformismo e ao revisionismo, contra a prática dos ditos partidos de “esquerda”, centrais sindicais e sindicatos pelegos, e movimentos “populares”. Nesse processo, reconstruir o partido revolucionário do proletariado, o Partido Comunista. Dessa maneira, fazer com que nossa ação prática atual contribua para construir a revolução proletária, a expropriação dos expropriadores, e a (re)construção do socialismo, pelo caminho inafastável da ditadura revolucionária do proletariado, rumo ao comunismo.

domingo, 7 de agosto de 2016

A rápida deterioração das condições de reprodução da classe operária e demais classes trabalhadoras no Brasil


[Nas crises] param as máquinas, ou então só as fazem trabalhar em parte do tempo, mais ou menos meio dia de trabalho; o salário baixa devido à concorrência entre desempregados, à redução do tempo de trabalho e a falta de vendas lucrativas; e à miséria geral entre os trabalhadores; as eventuais pequenas economias dos particulares são rapidamente devoradas, as instituições de beneficência veem-se assoberbadas, o imposto para os pobres duplica, triplica e contudo permanece insuficiente, o número de famintos cresce e subitamente toda a massa da população redundante aparece sob a forma de assustadoras estatísticas. Isto dura algum tempo; os redundantes safam-se melhor ou pior ou não conseguem sobreviver.
Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra


A crise brasileira atual – que é, principalmente, uma crise das condições de acumulação de capital – tem lançado as bases e efetivado, de forma rápida e violenta, uma renovação dos mecanismos de exploração e, consequentemente, de opressão da classe operária e demais classes trabalhadoras. Essa renovação dos mecanismos de exploração e opressão das classes dominadas é a própria “modernização capitalista”, que deve ser entendida, do ponto de vista dessas classes, como: deterioração das condições de sua reprodução, ampliação da exploração e reforço da ditadura da burguesia. Ou seja, como continuidade e aprofundamento das relações de produção capitalista em um novo patamar, marcado pela ofensiva burguesa na luta de classes em todos os terrenos – econômico, político e ideológico.

Buscaremos apresentar alguns dados e análises que corroboram essa tese, que é sentida na pele por cada operário, por cada trabalhador da cidade e do campo, especialmente nos últimos anos. Para uma análise marxista, científica, tomar distância dos superficiais embates dos “partidos da ordem” (Fora Ele e Fora Ela), que atualmente saturam o debate público, é a primeira condição. Caso contrário, não se vai muito além de palavras de ordem vazias sem efeito prático para os reais interesses dos trabalhadores – ainda mais num momento em que as máscaras já caíram e os atores no palco querem remontar, cada um com sua ladainha, as ilusões perdidas para um teatro já pegando fogo.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Análise do PC da Turquia sobre os últimos acontecimentos.

Com o objetivo de auxiliar na análise dos últimos acontecimentos na Turquia reproduzimos abaixo comunicado do Comitê Central do Partido Comunista da Turquia (TKP).


O Comité Central do Partido Comunista reuniu-se a 17 de Julho e analisou em profundidade os últimos desenvolvimentos do país e discutiu também o estado do partido e as suas tarefas.

Comunicado:

1. A tentativa de golpe de 15 de Julho não foi um confronto entre centros de conflito ideológico, mas envolveu pelo menos duas ou mais facções com identidades e ideologias de classe idênticas. Não é possível que essas facções não soubessem dos planos e acções umas das outras assim como não é possível separar um do outro.

2. O processo que levou ao golpe tem duas dimensões. Primeiro poderia ser descrito como uma luta pelo «poder» no sentido geral entre apoiantes de Erdogan e o movimento de Gulen, que adquiriu uma nova dimensão com as recentes purgas alargadas de Gulenistas. Enquanto o peso económico e político desta luta aumenta, a luta adquire também uma dimensão internacional e centros imperialistas apoiam estas facções.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O CAMINHO É PARA A FRENTE, HÁ QUE RETOMÁ-LO - ANA BARRADAS

Ana Barradas nas XV Jornadas Independentistas Galegas
O coletivo Cem Flores recebeu a carta abaixo da comunista portuguesa Ana Barradas com "reflexões sobre o estado a que chegaram os comunistas e suas propostas de debate para poder superar essa situação".
Por considerarmos importante documento para o debate da necessária retomada do marxismo e reconstrução do Partido Comunista, reproduzimos abaixo. 


O CAMINHO É PARA A FRENTE, HÁ QUE RETOMÁ-LO


Actual estrutura do capitalismo

A actual crise mundial do capitalismo tem gerado aumento do desemprego, crescimento das desigualdades sociais, concentração da renda e riqueza como nunca se viu antes, reforço das funções repressivas do Estado e da guerra imperialista contra os povos, sempre que necessário, para preservar o estado de coisas. O grande capital mostra-se incapaz de apontar saídas para essa crise do capitalismo. Ela apresenta-se como uma crise profunda e prolongada que exigirá reformas estruturais, com consequências sociais imprevisíveis. À crise internacional do capitalismo soma-se o esgotamento do modelo económico dos países mais frágeis, dependentes e periféricos como Portugal.

As classes dominantes que gerem o contexto internacional dos principais espaços imperialistas (EUA, Europa) demonstram não ter unidade em torno de um projecto hegemónico. Uma parcela procura a retoma e o aprofundamento do modelo neoliberal à custa de mais austeridade sobre os trabalhadores; outra esforça-se por temperar os excessos que abalam a integração social, causando insatisfação e rejeição social e fragilizando o apoio popular.

domingo, 5 de junho de 2016

A legalização da classe operária de Bernard Edelman


Fruto de um trabalho coletivo de tradutores e colaboradores, a publicação do livro A legalização da classe operária[1] (Boitempo, 2016), do advogado francês Bernard Edelman, vem minimizar uma lacuna no mundo editorial brasileiro. Lacuna que diz da ausência quase absoluta de novas edições e traduções das obras do grupo de militantes que, como Edelman, compartilhava das teses do militante comunista Louis Althusser. A recente publicação da editora Unicamp, Por Marx (Coleção Marx 21, 2015), de Althusser, também se insere nesse horizonte, cuja consequência será certamente estimular o debate teórico e a prática comunista em nosso país.

A legalização da classe operária centra sua análise e crítica sobre o chamado direito coletivo do trabalho[2] que, como forma ideológica,  incide sobre a luta de classes. Nos é apresentado um vasto estudo empírico que envolve legislações e peças processuais francesas, do século XIX até o momento do lançamento do livro (1978), referentes, sobretudo, ao direito de greve e de organização e representação sindical e por local de trabalho naquele país. Edelman demonstra a armadilha criada pelas classes dominantes através da ideologia jurídica: ao longo do tempo e da "legalização" das chamadas “conquistas” operárias, o capital consegue cooptar, violentamente, a classe operária e prendê-la em sua "fortaleza", a empresa. 

"A burguesia 'apropriou-se' da classe operária; impôs seu terreno, seu ponto de vista, seu direito, sua organização de trabalho, sua gestão." (p. 112).

Nessa questão o autor não poupa palavras. Ele fala que a burguesia, através de seus "representantes" inclusive e principalmente no meio operário, inventaram uma classe operária, legalizada e individualizada, e "mandou destruir, esfolar, mutilar e leiloar" (p. 147), "capturar, neutralizar, amordaçar" (p. 8) a classe operária enquanto classe politicamente autônoma.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Acção comunista em tempos de maré baixa

Reproduzimos abaixo texto do marxista português Francisco Martins Rodrigues. Nesse curto material ele aponta importantes lições para a atuação dos comunistas em "tempos de maré baixa". O original pode ser acessado aqui, no blog que reúne a produção de FMR. Para conhecer um pouco mais da vida desse dirigente marxista acesse aqui.


Francisco Martins Rodrigues


Como podem os comunistas conseguir que o movimento diário das massas pelas suas reivindicações imediatas acumule forças revolucionárias, mesmo neste período de triunfo em toda a linha da burguesia? Esta é uma questão central para os comunistas portugueses, escaldados por sucessivas infiltrações do reformismo, sempre em nome das melhores intenções marxistas.

Acumulação de forças revolucionárias é coisa praticamente desconhecida em Portugal. O que temos são muitos exemplos de como se desacumulam forças: à frente de todos, claro, o PCP, fiel ao seu trabalho minucioso junto do proletariado, nas empresas e nos sindicatos, agitando a bandeira da “defesa das conquistas”, mas conduzindo as massas de derrota em derrota, devido ao seu respeito supersticioso pelo parlamento e pela ordem burguesa; depois, a “nova esquerda” agrupada no Bloco, exibindo as suas causas alternativas (“ampliar a cidadania”, “aprofundar a democracia”), que, na prática, apenas dão voz ao descontentamento da jovem pequena burguesia, em busca de um lugar ao sol; tivemos também a aposta das FP 25 nas acções de guerrilha urbana como meio de “excitar” o movimento popular em declínio, o que as levou ao previsível naufrágio e ao descrédito da via revolucionária; e há ainda muitos simpatizantes da revolução, enojados com o panorama reinante de colaboração de classes, para os quais todas as reivindicações imediatas, parcelares, são indignas de qualquer esforço, pelo que se entregam à inacção declamatória ultra-esquerdista.

Nesse caso, o que se deve fazer?

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Nos 198 Anos de Karl Marx


O blog Cem Flores presta hoje, 5 de maio, uma singela homenagem a Karl Marx, no ano em que se completam 198 anos de seu nascimento.

Incansável militante comunista, fundador e dirigente das principais organizações revolucionárias de sua época, teórico que estabeleceu os fundamentos científicos do materialismo histórico – que é, com justiça, conhecido como marxismo[1] – Karl Marx dedicou toda a sua vida para a causa da classe operária, da revolução proletária, da supressão da exploração capitalista, da construção do socialismo e do comunismo. Por isso, foi censurado, preso, perseguido e exilado um sem número de vezes. Mas quando sua filha lhe perguntou qual a sua ideia de felicidade, sua resposta foi simples e direta: “Lutar[2].

Para ampliar a leitura e o debate entre os camaradas e leitores do blog sobre a vida e a obra de Karl Marx, recomendamos o artigo que Lênin lhe dedicou em 1914: https://www.marxists.org/portugues/lenin/1914/11/marx.htm.

Além disso, nesta nossa postagem em homenagem ao aniversário de Karl Marx decidimos transcrever o trecho final de sua conhecida obra Salário, Preço e Lucro, pelo que entendemos ser sua importância para a correta compreensão da luta de classes que separa, inexoravelmente, burguesia e proletariado; para o entendimento da necessidade da luta sindical e dos seus limites; e para a necessidade de superar esses limites, derrubando o capitalismo.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Uma Avaliação Comunista da Conjuntura Brasileira: a Crise do Capital e o Processo de Impeachment

A crise do capital no Brasil tem se agravado continuamente. Depois de uma queda do PIB de 3,8% em 2015, a imprensa divulga expectativas de contração similar neste ano, o que será um evento inédito desde o início dos anos 1930. Enquanto a crise continua a afetar severamente a produção industrial, ela se espalha rapidamente para o comércio e os serviços. O desemprego iniciou o ano subindo para 9,5%, taxa que significa 9,6 milhões de trabalhadores desempregados e um aumento de 2,9 milhões nesse contingente em apenas um ano. Esse massacre sobre a classe operária e os demais trabalhadores piora ainda mais com o aumento da informalização das relações de trabalho, com a queda nos salários (que o IBGE diz ser de 2,4%), com a carestia, com a piora acentuada na qualidade dos serviços públicos, com a ofensiva burguesa para a retirada de conquistas trabalhistas e sociais. Essa é a face da crise do imperialismo, vista do Brasil, do ponto de vista das classes dominadas.

Crise do imperialismo que, ao redor do mundo, também tem se agravado recentemente, como todos podemos constatar todos os dias, mesmo que seja apenas com uma rápida olhada nos jornais e sítios de notícias. O FMI reduz seguidamente as suas projeções de crescimento mundial e o comércio mundial, que ficou estagnado no ano passado, pode se retrair neste ano. Na Europa e no Japão a estagnação produz deflação e nem taxas de juros negativas conseguem qualquer sinal de recuperação. A China tem taxas de crescimento que hoje são a metade do que costumavam a ser e devem cair ainda mais, causando graves problemas no setor bancário, crash na bolsa de valores, fuga de capitais de mais de US$ 800 bilhões desde o ano passado, ameaça de explosão de bolha imobiliária e queda abrupta dos preços internacionais de commodities. Politicamente, a crise do imperialismo gera em importantes setores das burguesias dos países imperialistas o crescimento de tendências fascistas, do racismo e da xenofobia, da militarização e da repressão, tendências de que são prova Donald Trump (EUA) e Marine Le Pen (França), além dos partidos Alternativa para a Alemanha e Aurora Dourada (Grécia).

Nesse pano de fundo – os determinantes em última instância – se desenrola uma acirrada crise política no Brasil envolvendo os partidos burgueses (PT, PSDB, PMDB, etc.) em disputa pelo “privilégio” de gerir o aparelho de Estado capitalista. Crise política que subiu de patamar com a abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, ao final do ano passado, e que se acirra diariamente, a cada novo movimento no Congresso, no Executivo, no Supremo Tribunal Federal, nas ruas e a cada nova fase da operação Lava-Jato.

Buscamos analisar esse cenário em dezembro do ano passado no artigo “Podem, na atual conjuntura brasileira, a classe operária e os comunistas tomar partido nas disputas entre facções burguesas a favor de uma ou de outra? Sobre o processo de impeachment de Dilma” (http://cemflores.blogspot.com.br/2015/12/podem-na-atual-conjuntura-brasileira.html). Confirmando o que afirmávamos então, o impeachment efetivamente passou a “ocupar o centro das discussões políticas”, em um processo que tem se mostrado “longo e tumultuado”. Com a acentuação da crise política e o desenrolar do impeachment, crescem as pressões sobre a classe operária e os comunistas para se posicionar sobre esse tema, posicionamento que o senso comum, a ideologia burguesa, a imprensa, e as partes em disputa buscam limitar, necessariamente, “a uma escolha binária, sim ou não, excluindo qualquer outra hipótese ou possibilidade”.

Desde a publicação daquele texto até agora, o STF mandou refazer os passos iniciais do processo de impeachment; existem ações ou investigações sobre os presidentes da Câmara e do Senado; o alcance da Lava-Jato cresceu, atingindo o líder do governo no Senado (Delcídio do Amaral), o marqueteiro das campanhas de Lula e Dilma (João Santana), e, pessoalmente, Lula e Dilma; Lula foi nomeado ministro e depois afastado; a comissão do impeachment foi instalada; houve grandes manifestações de rua a favor e contra o impeachment; e agora, a maior empreiteira do país afirmou que vai fazer uma “delação definitiva” e as planilhas já divulgadas listam mais de 200 políticos, “democraticamente” distribuídos entre governo e oposição (incluindo Aécio Neves).

Na nossa avaliação, todos esses novos fatos não apenas não alteram a validade da análise que efetuamos em dezembro passado, como a reafirmam.

Ambos os lados envolvidos nessa disputa sobre o impeachment – que ocupa o centro da luta política institucional atual – são compostos, exclusivamente, por partidos ou facções burguesas. Sua única disputa é por saber quem vai se colocar à frente do Poder Executivo. Todos se perfilam em defesa da democracia burguesa (e cada lado acusa o outro de violações da “ordem democrática”) e do capitalismo e também mostram identidade na defesa de medidas de “ajuste” econômico sobre o proletariado e as demais classes dominadas. Como escrevemos em dezembro: nos “períodos de crescimento ou para tentar evitar a recessão, beneficiam o lucro dos patrões. Uma vez instalada a recessão e para sair dela, aumentam a exploração sobre a classe operária”. Ou seja, uma mesma e única política econômica. Por fim, todos chafurdam na podridão da corrupção capitalista.

Nessa conjuntura, sindicatos, centrais e “movimentos populares”, em sua absoluta maioria, têm reafirmado sua histórica posição oportunista. Têm chamado o proletariado e o conjunto dos trabalhadores para a defesa de uma democracia que não é sua e de um governo que não é seu. Mais uma vez cabe reafirmar a posição do texto de dezembro: “o proletariado e os comunistas devem declarar abertamente sua posição: não apoiamos nem apoiaremos qualquer facção burguesa em suas disputas fraticidas pelo poder e pela posse provisória do aparelho de Estado capitalista”.

Denunciar o oportunismo, denunciar as posições burguesas no meio da classe operária e das demais classes dominadas é um imperativo político e prático para os comunistas. Assim como também o é a defesa intransigente pela construção de uma posição própria, autônoma, independente, do proletariado na luta de classes contra a burguesia. E nesse processo, reconstruir o instrumento de lutas da classe operária, o Partido Comunista, dotado de sua teoria científica, o marxismo-leninismo.

Eis o único caminho real, embora longo e difícil, não apenas para fazer frente à atual ofensiva das posições burguesas em todos os aspectos (político, econômico, ideológico, repressivo), mas também para permitir a construção do caminho para a ruptura com a sociedade burguesa e o reinício da grandiosa tarefa de construir o socialismo e o comunismo.


Clique aqui para ler a íntegra do texto Podem, na atual conjuntura brasileira, a classe operária e os comunistas tomar partido nas disputas entre facções burguesas a favor de uma ou de outra? Sobre o processo de impeachment de Dilma (http://cemflores.blogspot.com.br/2015/12/podem-na-atual-conjuntura-brasileira.html).

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Oitenta Anos a Enterrar Lenine, por Francisco Martins Rodrigues.


Oferecemos aos camaradas leitores do Blog Cem Flores o texto abaixo, de Francisco Martins Rodrigues, dedicado ao resgate do Leninismo das degenerações revisionistas que ele vem sofrendo praticamente desde a morte de Lênin.

É de suma importância para o movimento operário, comunista, revolucionário, que se possa contrapor o Leninismo e sua posição pela hegemonia proletária no processo revolucionário aos reformismos de toda a espécie, que proliferam sob as táticas e as palavras de ordem de “unidade nacional”, das frentes burguesas pretensamente antiimperialistas, do combate ao neoliberalismo, etc.

Nas palavras do próprio Francisco:

Aprendamos com Lenine que a conquista de alianças de classe não é a troca dos objectivos do proletariado por imaginárias metas não-revolucionárias, capazes de seduzir a pequena burguesia; nem é a troca da voz independente e exigente do proletariado pelos discursos unitário-diplomáticos que agradam a todos e nada esclarecem – é armar o proletariado com a capacidade de arrastar atrás de si as camadas vacilantes”.

Sem a hegemonia da política proletária dentro dele, esses movimentos, por muito positivos que sejam os seus impulsos espontâneos, degeneram continuamente em sonhos patetas de humanizar e domesticar o capitalismo”.

Uma só linha de rumo extraio do leninismo: distinguir continuamente os interesses políticos do proletariado dos da pequena burguesia; ver tudo pelos olhos da única classe que está interessada na liquidação até ao fim do capitalismo, na expropriação da burguesia. Desde que tenhamos essa linha sempre presente encontramos as respostas políticas de cada dia. Pelo menos foi isto que eu aprendi do leninismo”.


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Oitenta anos a enterrar Lenine

Francisco Martins Rodrigues