terça-feira, 21 de março de 2017

Contra o muro, contra o imperialismo… Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.

Reproduzimos abaixo, traduzido, artigo do Partido Comunista do México (PCM), que trata da iniciativa do presidente norte-americano Donald Trump de construir um muro entre o México e os EUA. Consideramos importante a leitura desse material pois, além da denúncia sobre as intenções capitalistas por trás dessa iniciativa, o artigo apresenta também uma crítica correta à tese da "unidade nacional" na oposição à iniciativa de Trump. O original pode ser acessado aqui.
Como está dito no texto do PCM "a história nos ensina como ao longo do século XX, nas ocasiões em que a classe operária adotou a 'unidade nacional', hipotecou a sua independência como classe subordinando-se aos interesses da burguesia, a qual aproveitou para maximizar os seus lucros e afirmar a sua dominação."
No Brasil sabemos bem os males que as teses de "unidade nacional" causaram à luta da classe operária e dos trabalhadores, nos colocando a reboque de uma pretensa burguesia "nacional" na luta contra o capital estrangeiro, o imperialismo etc. Hoje, essas teses, requentadas, são apresentadas novamente a partir da indicação aos trabalhadores brasileiros a apoiarem uma aliança com um pretenso setor "desenvolvimentista" do capital em contradição contra um suposto setor puramente "especulativo". Lenin já mostrava há mais de 100 anos que o capital financeiro é a fusão do capital bancário com o capital produtivo...
Já publicamos também em nosso blog uma aprofundada crítica a essa tese, exposta no livro O Anti-Dimitrov, do dirigente comunista português Francisco Martins Rodrigues, que pode ser acessada aqui.
Essa posição burguesa no seio da classe operária e dos trabalhadores enfraquece nossa capacidade e necessidade de organizar a resistência contra a ofensiva do capital monopolista (especulativo e produtivo), principalmente com o aprofundamento da crise do imperialismo. Lutar contra a ilusão burguesa da "unidade nacional", denunciando-a e expondo sua real intenção é parte do caminho necessário à luta e organização de nossa classe.
Cem Flores.
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Contra o muro, contra o imperialismo… 
Para confrontar a política imperialista de Trump: nem submissão, nem “unidade nacional”.
01/02/2017


Tal como anunciou na sua campanha, o Presidente dos EEUU, Donald Trump, assinou uma ordem executiva para a construção do muro na fronteira entre o seu país e o nosso, com o propósito expresso de conter a migração de trabalhadores mexicanos e de outras nacionalidades que nutrem a força de trabalho nos distintos ramos da produção e os serviços nessa nação norte-americana.

segunda-feira, 6 de março de 2017

A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo - V. I. Lenin.

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Dando continuidade às homenagens ao Dia Internacional da Mulher, apresentamos agora um breve artigo de Lenin, de 1919, no qual ele apresenta resumidamente as iniciativas tomadas na União Soviética após a revolução, medidas práticas focadas em retirar a mulher da escravidão doméstica e deixa-la livre para se inserir no processo revolucionário.
É importante destacar a vinculação que Lenin estabelece da construção do comunismo com a emancipação da mulher: "A verdadeira emancipação da mulher, o verdadeiro comunismo, só começará onde e quando comece a luta das massas (dirigida pelo proletariado, que detém o poder do Estado), contra a pequena economia doméstica ou melhor, onde comece a transformação em massa dessa economia na grande economia socialista."
Cem Flores


A Contribuição da Mulher na Construção do Socialismo[1]
V. I. Lénine
28 de Julho de 1919 

Tomemos a situação da mulher. Nenhum partido democrático do mundo, em nenhuma das repúblicas burguesas mais progressistas, realizou a esse respeito, em dezenas de anos, nem mesmo a centésima parte daquilo que nós fizemos apenas no primeiro ano de nosso poder. Não deixamos literalmente pedra sobre pedra de todas as abjetas leis sobre as limitações dos direitos da mulher, sobre as restrições do divórcio, sobre as odiosas formalidades às quais estava vinculado, sobre a possibilidade de não reconhecer os filhos naturais, sobre a investigação de paternidade etc., leis cujas sobrevivências, para vergonha da burguesia e do capitalismo, são muito numerosas em todas os países civilizados. Temos mil vezes o direito de estar orgulhosos daquilo que fizemos nesse terreno. Mas quanto mais limparmos o terreno do entulho das velhas leis e instituições burguesas, melhor vemos que com isso apenas limpamos o terreno para construir e não empreendemos ainda a própria construção. 

sexta-feira, 3 de março de 2017

A família na União Soviética. Crise e reconstituição 1917/1944.


Pode-se afirmar que é impossível atingir o comunismo sem a transformação do papel da mulher hoje estabelecido. E essa transformação começa pela libertação do papel que ela cumpre na família, no aparelho ideológico familiar. Sob o capitalismo a função que a mulher desempenha na família é a de realização de tarefas que auxiliem na redução do valor da força de trabalho do proletariado, função essa considerada subordinada ao papel do homem, ideologicamente identificado como o chefe e aquele que provê as necessidades da família. Para alterar esse quadro e permitir a maior participação da mulher na revolução é preciso que ela se liberte dessa pequena economia doméstica, que a própria família seja alterada.
É precisamente esse o ponto que o texto da camarada Ana Barradas, que abaixo reproduzimos, nos apresenta: quais foram as principais mudanças no aparelho familiar e na condição da mulher levadas a cabo na Rússia após a revolução de 1917. Esse texto pode ser acessado também no blog Bandeira Vermelha.
No artigo é possível ver o quanto o ímpeto revolucionário levou a mudanças profundas na legislação, estabelecendo "direitos", e as iniciativas práticas que o Estado proletário adotou, mesmo em período de guerra, para permitir que as mulheres ampliassem sua participação política e econômica na revolução, libertando-se de suas pretensas “responsabilidades domésticas”. O texto também nos apresenta os fatores conjunturais, políticos e ideológicos que, não apenas interromperam essas mudanças, como as desfizeram, impelindo as mulheres a regressar as suas condições anteriores. O ascenso ou recuo na luta de classes, do ponto de vista do proletariado, vão determinando o avanço ou o retrocesso no processo de transformação do papel da mulher.
Na semana do 08 de março, Dia Internacional da Mulher, pretendemos com essa publicação estimular o debate sobre essa questão central, a partir da análise dos fatores que contribuíram para avançar ou retroceder a luta da mulher, na situação concreta que viveu a Revolução Russa, aprendendo com aquela experiência e nos permitindo combater de forma mais efetiva nossos limites e incompreensões sobre esse tema, condicionante fundamental para a construção da revolução em nossa realidade atual.

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A família na União Soviética. Crise e reconstituição 1917/1944.
Ana Barradas

Muitos dos operários e intelectuais avançados do nosso país que admiram sinceramente as conquistas revolucionárias da Rússia soviética talvez tenham reticências quanto ao aspecto concreto da libertação da mulher, tomando as formas de que ela se revestiu como manifestações excessivas dos primeiros anos. A imagem que têm da mulher soviética é aquela que foi propagada muito mais tarde: a da mulher produtora, igual perante a lei, mas simultaneamente recuperada para o papel de esteio da família.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

BANDEIRA VERMELHA. Blog Internacional de Debate Comunista.


A luta contra o reformismo e o revisionismo, pela retomada do marxismo e pela reconstrução dos partidos comunistas acaba de ganhar mais uma trincheira importante. É com enorme alegria que informamos aos camaradas, amigos e leitores do Cem Flores o lançamento do blog BANDEIRA VERMELHA (https://bandeiravermelha123.wordpress.com), blog internacional de debate dos comunistas.

Compreender as causas da crise que se abateu sobre nosso campo é decisivo para encontrarmos o caminho da retomada de nossa luta, o caminho da construção da revolução proletária. Como afirma o manifesto de lançamento do Bandeira Vermelha, "a tarefa principal que hoje se põe às/aos herdeir@s das tradições comunistas é dar res­postas convincentes para os fracassos revolucionários; explicar por que razão os  regimes saídos das insurreições vitoriosas na Rússia e China degeneraram na dominação de uma nova casta que exerceu a sua ditadura em nome do socialismo, para acabar rendida ao capitalismo. Quais os ­­­limites materiais e subjectivos que determinaram estas derrotas?" 

E o blog aponta o caminho com o qual concordamos totalmente: "A busca dessas respostas impõe a retomada e o desenvolvimento do marxismo, da teoria científica do proletariado, aplicando-a concretamente à conjuntura atual. Essa tarefa só será possível com a participação ativa d@s comunistas na luta da classe operária e do conjunto do povo trabalhador."

Reproduzimos abaixo o manifesto de lançamento desse espaço internacional de debate (https://bandeiravermelha123.wordpress.com/sobre-nos/) para o qual convidamos todos a acompanhar e participar. 


Bandeira Vermelha, blogue internacional de debate comunista.

A profunda crise em que estão mergulhados @s comunistas e o movimento operário de todo o mundo tem causas profundas ainda por determinar.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Estudar a crise do marxismo. Resposta aos Comunistas Americanos, de Francisco Martins Rodrigues.

Há algum tempo atrás conclamamos àqueles que queriam pensar com suas próprias cabeças, que não tinham abandonado a luta sob a perspectiva da classe operária, a retomar o marxismo e esgrimirem suas ideias sobre os rumos do socialismo e a teoria que o ilumina. No texto de lançamento do blog Cem Flores (http://cemflores.blogspot.com.br/p/por-que-razao-discutir-crise-do.html) afirmamos:
"Percebemos que muito mais do que uma discussão sobre organização, tática ou estratégia, o que necessitamos é discutir a situação, o estado da teoria marxista, sua crise escancarada após o XX Congresso do PCUS e a cisão do movimento comunista em 1963, a necessidade urgente e incontornável de tomá-la a sério e perguntarmos por suas causas. Perguntar as causas da crise que desembocou em Kruschev, no rompimento da URSS com a China, cisão na teoria e na prática, e no desmanche das experiências de construção do socialismo, principalmente na URSS e na China por seu papel de exemplo.
A crise do movimento comunista não pode ser somente o resultado dos erros cometidos pelos partidos comunistas em sua prática na luta de classes, resultado de uma conjuntura, nem da ação dos inimigos de sempre e, que desde sempre, se uniram contra ele na luta de classes, se fossem esses os motivos da crise do movimento comunista teríamos de perguntar por que razão tornou-se possível o triunfo da conjuntura, dos acontecimentos sobre uma teoria cuja “ onipotência” (numa expressão que se tornou clássica por Mao) deriva da verdade inquestionável dos conceitos que a articulam."
Como contribuição ao estudo dessa questão, queremos apresentar abaixo o texto de Francisco Martins Rodrigues, Resposta aos Comunistas Americanos (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2017/01/16/resposta-aos-comunistas-americanos-2/). Esse brilhante dirigente comunista português pergunta, nesse texto:
Quando aos trabalhadores de todo o mundo o fim do comunismo aparece como um facto consumado, a nova corrente comunista tem que começar por responder à questão: como pôde afundar-se nesta miserável perestroika um movimento que inscreveu na história da humanidade feitos tão brilhantes como a revolução de Outubro ou a guerra revolucionária na China? Porque foi a revolução proletária do século XX engolida pelo capitalismo? Esse deveria ser, quanto a nós, o eixo dum documento que pretende, como dizeis, “contribuir para a discussão entre os comunistas de todo o mundo sobre o que fazer”, porque só da resposta a essa questão viva sairão conceitos marxistas vivos e, forçosamente, uma perspectiva nova sobre as questões do partido e da revolução, da estratégia, da táctica e do estilo de trabalho. Se o marxismo nunca pode voltar a ser o que era, muito menos o será depois de ter atravessado uma experiência tão vasta.”
Convidamos a todos os leitores do blog Cem Flores a estudarem  o texto abaixo reproduzido, importante contribuição à análise da crise do marxismo e da luta por sua retomada.

RESPOSTA AOS COMUNISTAS AMERICANOS.
Francisco Martins Rodrigues

Correspondendo à vossa proposta de debate em torno da declaração “Tarefas do comunismo operário durante a derrocada do revisionismo”, publicada no Workers’ Advocate de Janeiro, fazemos em seguida algumas observações que a sua leitura nos sugeriu. Decidimos tornar pública esta carta porque, tal como vós, consideramos um debate alargado sobre a linha geral como a prioridade mais vital para os comunistas de todo o mundo.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Francisco Martins Rodrigues: sobre a atualidade do conceito de Imperialismo.


Essa postagem continua as publicações que o Blog Cem Flores vem fazendo para celebrar o primeiro século do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”. Já publicamos trechos do livro de Lênin (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html) e também o discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia, KKE (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/11/100-anos-de-imperialismo-fase-superior.html) sobre o imperialismo. Para cada uma dessas postagens, preparamos apresentações dos textos, buscando ressaltar seus aspectos mais importantes e debater suas formulações, sempre visando discutir a atualidade do conceito leninista de Imperialismo.

O blog Escritos de uma Vida (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/) tem publicado uma grande quantidade de escritos do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues[1]. Em 1º de agosto desse ano, publicou o artigo “Os Clássicos e o Imperialismo: que atualidade?” (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/08/01/os-classicos-e-o-imperialismo-que-actualidade/), de 2003, cujo objetivo também era o de “continuar o debate sobre estas novas questões e procurar indicar alguns traços fundamentais da nossa época” a partir da obra de Lênin, “síntese paradigmática da interpretação do imperialismo”. Ou seja, a mesma discussão que estamos travando entre os nossos camaradas e que queremos estimular entre os leitores: discutir a atualidade e a necessária atualização da análise leninista do Imperialismo e seu caráter imprescindível para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais.

Os Cinco Traços Fundamentais do Imperialismo e sua Atualidade

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Marighella presente!

Em 05 de dezembro de 1911 nascia em Salvador, Bahia, o dirigente comunista Carlos Marighella. Cem Flores apresenta  no vídeo abaixo uma pequena homenagem ao comandante revolucionário. Sua vida é, para nós, um exemplo a todos os revolucionários do Brasil e do mundo.

video

Acesse aqui o link para o vídeo no Youtube.

domingo, 27 de novembro de 2016

Morreu um revolucionário. Viva a Revolução!

"É possível que muitos comecem agora a compreender a Revolução em todo o seu significado e em toda a sua grandeza, porque, inclusive, essa era uma palavra muito em voga, muito repetida e que para muitas pessoas não tinha senão um significado sonoro, uma ideia confusa, porque, inclusive, se chamava revolução a qualquer coisa e qualquer um se chamava de revolucionário. E parecia fácil uma revolução e, no entanto, uma revolução não é uma tarefa fácil. Uma revolução não é um acontecimento simples na história de um povo. Uma revolução é um acontecimento complexo e difícil, e que tem, além disso, a virtude de ser uma grande mestra, porque vai nos ensinando durante sua marcha, e sua marcha vai fortalecendo a consciência do povo e sua marcha nos vai ensinando o que é uma revolução" (24/02/1960)[1].

"A classe operária a mantinham impotente, a mantinham dividida, não lutando pelas verdadeiras metas pelas quais deve lutar a classe operária. E vocês sabem qual é a primeira meta pela qual deve lutar a classe operária, a única meta pela qual deve lutar fundamentalmente uma classe operária em um país moderno? Pela conquista do poder político! Porque a classe operária é uma classe absolutamente majoritária, a classe operária é a classe fecunda e criadora, a classe operária é a que produz quanta riqueza material exista num país. E enquanto o poder não esteja em suas mãos, enquanto a classe operária permita que o poder esteja nas mãos dos patrões que a exploram, dos latifundiários que a exploram, dos monopólios que a exploram, dos interesses estrangeiros ou nacionais que a exploram, enquanto as armas estejam nas mãos da camarilha a serviço desses interesses e não nas suas próprias mãos, a classe operária estará condenada, em qualquer parte do mundo, a uma existência miserável, por muitas que sejam as migalhas que, da mesa da festa, os grandes interesses e os grandes privilégios lancem sobre ela" (14/12/1960)[2].

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

99º Aniversário da Revolução Bolchevique.

Hoje, 07 de novembro de 2016, celebramos os 99 anos da Revolução Bolchevique. Reproduzimos abaixo a postagem realizada pelos camaradas comunistas galegos do Primeira Linha em homenagem a essa data. Optamos por manter o texto em galego original, língua que é a expressão da luta desse aguerrido povo contra o domínio colonial espanhol. A postagem original pode ser acessada aqui.



99 aniversário da Revoluçom Bolchevique
COMUNISMO, ÚNICA ALTERNATIVA ANTICAPITALISTA

A tomada do poder polo proletariado russo dirigido polo partido bolchevique de Lenine em outubro de 1917 é um dos factos históricos mais relevante da história da humanidade.

Por primeira vez a classe trabalhadora, logo da efémera experiência da Comuna de Paris de 1871, em 1917 logra fundar o primeiro Estado operário da história da humanidade. A aliança operário-camponesa sob a hegemonia ideológica do proletariado derrota a ditadura burguesa e senta as bases para a construçom de umha nova sociedade visada para superar a propriedade privada e as relaçons mercantis.

@s bolcheviques demonstrárom que sim é possível tomarmos o céu por assalto, que sim é possível derrotar a maquinária militar imperialista, que sim é possível sentar as bases para  erguermos esse mundo novo sonhado, essa sociedade sem exploraçom, sem opressom, sem dominaçons, o que seguimos chamando Socialismo/Comunismo.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”

Um Discurso do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre O Imperialismo

02.11.2016

Acesse aqui em pdf

No final do mês de outubro passado, o Blog Cem Flores publicou trechos do livro de Lênin, “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, precedido de uma pequena apresentação (http://cemflores.blogspot.com.br/2016/10/nos-100-anos-de-imperialismo-fase.html). Nela, destacamos a atualidade da análise leninista do imperialismo, bem como seu caráter necessário para o debate comunista sobre a crise e o movimento operário atuais, e sugerimos alguns pontos para o aprofundamento do estudo do tema e para a discussão entre camaradas e leitores.

Achamos que é preciso continuar essa discussão. Trazemos agora para o debate um recente discurso de um dirigente do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre o tema do Imperialismo, também por ocasião do centenário de publicação do livro de Lênin. Da mesma maneira que no post anterior, também preparamos uma pequena introdução na qual buscamos levantar alguns pontos do texto que achamos principais para o nosso debate comunista.

Para apresentar esses temas de uma forma mais organizada, buscamos agregá-los em três tópicos principais: o resgate de princípios comunistas, as formulações próprias do KKE e os pontos atuais que é preciso desenvolver.

Resgate de Princípios Comunistas

A classe operária e os comunistas vivem, faz várias décadas, “em tempos de maré baixa” – para emprestarmos uma expressão do dirigente comunista Francisco Martins Rodrigues (https://franciscomartinsrodrigues.wordpress.com/2016/02/27/accao-comunista-em-tempos-de-mare-baixa/). Nesse período vimos o reformismo e o oportunismo sobrepujarem a linha revolucionária nos partidos comunistas; a ação revolucionária das massas proletárias praticamente desaparecer; a luta sindical converter-se, em sua absoluta maioria, em um jogo de cena entre pelegos e patrões; e o horizonte da ação política da classe operária se reduzir aos seus limites mais miseráveis, meras mobilizações institucionais ou campanhas eleitorais.

Nessa conjuntura, os princípios comunistas estão praticamente esquecidos pela quase totalidade da classe operária e mesmo pela maioria absoluta dos operários de vanguarda e militantes honestos e sinceros. O resgate e a afirmação desses princípios comunistas, portanto, não só é necessário como nos parece indispensável.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Nos 100 Anos de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, Discutir o Imperialismo e Sua Crise Continuam Tarefas Fundamentais dos Comunistas

Capa original do livro Imperialismo.

No centenário da publicação de “Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo”, o blog Cem Flores reproduz, a seguir, os prefácios e dois capítulos do livro como nossa forma de homenagear Lênin: discutindo a atualidade de seu pensamento e ação militante e sua importância para a luta comunista neste início de século XXI.

Muito embora Lênin tenha chamado seu livro de um “esboço popular”, e não obstante os mares de tinta que se escreveram a respeito do imperialismo nesse século, avaliamos que a análise de Lênin permanece insuperável. Temos plena consciência do que essa avaliação implica em termos da fragilidade teórica dos comunistas de avançarem e desenvolverem o legado de Marx, Engels e Lênin.

Nos prefácios que reproduzimos abaixo, Lenin afirmava que acalentava a esperança de que a publicação d`O Imperialismo ajudaria na “compreensão de um problema econômico fundamental, sem cujo estudo é impossível compreender seja o que for e formar um juízo sobre a guerra e a política atuais: refiro-me ao problema da essência econômica do imperialismo”.

Já os dois capítulos que transcrevemos abaixo buscam resumir a definição leninista de imperialismo (capítulo 7) e abordam as tendências ao parasitismo e à decomposição do imperialismo, assim como do seu papel para o fortalecimento de tendências oportunistas no movimento operário e comunista (capítulo 8).

Quanto à formulação econômica do conceito de imperialismo, a conjuntura atual parece reforçar as principais tendências apontadas por Lênin em 1916. O nível de centralização do capital nos grandes monopólios, o fortalecimento do capital financeiro e o montante das exportações de capital atingem patamares inéditos. A crise do imperialismo, agravada em 2007/2008 e sem qualquer sinal de saída à vista, tem acentuado ainda mais todas essas tendências.

Ao mesmo tempo, a atuação desses monopólios nas últimas décadas efetivamente criou espaços transnacionais de montagem e produção de mercadorias, com as diversas etapas de seu beneficiamento podendo ocorrer em diversos países e continentes. O resultado óbvio desse processo é uma forte tendência à equalização e ao rebaixamento das condições de produção, do ponto de vista do proletariado e das demais classes dominadas, ao redor do mundo.

Com base na atuação dos capitais monopolistas, os Estados imperialistas buscam manter e expandir suas áreas de influência, garantir o pleno funcionamento dessas cadeias produtivas e o fornecimento ininterrupto e a preços baixos de matérias-primas. Razões de segurança dos Estados imperialistas se imbricam com a rentabilidade do capital e ambas se reforçam. A tendência à guerra sempre que se coloca em causa a repartição existente do mundo é o que mais se tem visto nesse século transcorrido desde a publicação do Imperialismo.

Em suma, o sistema imperialista domina integralmente o mundo atual, cria uma economia mundial englobando todos os países. Sem exceções. Em sua configuração, o sistema parqueia cada país e seus capitais em posições distintas, que tentamos resumir na dualidade dominante/dominado, a partir de uma divisão internacional do trabalho em constante definição e repactuação.

domingo, 16 de outubro de 2016

Correspondências

Cem Flores recebeu da camarada Ana Barradas, em setembro passado, a carta intitulada Aprender a Sobreviver no Deserto. Nessa carta a camarada relata a crise que vive o marxismo no mundo, o deserto a atravessar, e afirma: "Há que fazer a travessia do deserto, mas é o único caminho, não há outro". O objetivo "dos proletários de todo o mundo unidos para instaurar a sua ordem contra quem os oprime é a meta a alcançar".
Após um diálogo travado com um camarada do Cem Flores, Ana desenvolve sua análise em uma segunda carta enviada a esse companheiro.
Reproduzimos abaixo as duas cartas por considerarmos que contribuem para entender a crise que atravessa o marxismo, auxiliando na tarefa imprescindível de retomá-lo, teoricamente e na prática, para reconstruir o partido comunista e impulsionar a revolução proletária.
Acesse aqui em pdf.


APRENDER A SOBREVIVER NO DESERTO

Nos nossos dias, muitos aqueles que se designam a si próprios como marxistas-leninistas ou comunistas alinham com forças reformistas sem se porem questões sobre os resultados e estratégicos dessas alianças.

Acham graça a todas as inovações pseudomarxistas que puxam a classe operária mais para baixo e a pequena burguesia mais para cima. Alinham com a domesticação e institucionalização das organizações operárias, sem se indignaram com a sua criminalização e submissão à legislação capitalista que os sindicatos reformistas procuram dirimir, em vão. As “luminárias” marxistas dos dias de hoje desconhecem ou não se interessam pelas lutas nas fábricas, reduzidas à sua ínfima expressão pelo isolamento em que foram deixadas cair.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

152 Anos da Associação Internacional dos Trabalhadores: a atualidade e lições de sua Mensagem Inaugural.

Neste mês se comemora os 152 anos do surgimento da Associação Internacional dos Trabalhadores, esse esforço heróico e original do proletariado mundial em sua luta contra o capital. Os comunistas e fundadores do marxismo foram desde o início dedicados militantes e dirigentes dessa organização, colaborando, através da luta política e ideológica com outras correntes do movimento operário, para que a classe cumprisse seu objetivo: emancipar-se por conta própria. A "1ª Internacional" acabou em 1872, sendo um marco sobre o qual iriam partir as posteriores iniciativas internacionalistas da classe operária.

Abaixo reproduzimos a Mensagem Inaugural da Associação Internacional dos Trabalhadores, de Karl Marx (Obras Escolhidas, Editorial Avante!, Tomo II), de 1864, ano da fundação da Associação. Marx, um de seus principais dirigentes junto com Engels, também redigiria seus estatutos.

A mensagem, como verão, é espantosa pela sua atualidade. Primeiro por apontar uma tendência geral do capitalismo que vem se reforçando globalmente no atual momento histórico: a constituição de um pólo da sociedade em prosperidade e outro em constante miséria. Como diz o Chanceler do Tesouro Público da época na caneta de Marx: "Este inebriante aumento de riqueza e poder está inteiramente confinado às classes possidentes!". No capitalismo não é possível um desenvolvimento igualitário entre as classes pois "os senhores da terra e os senhores do capital sempre usarão os seus privilégios políticos para defesa e perpetuação dos seus monopólios económicos. Muito longe de promover, continuarão a colocar todo o impedimento possível no caminho da emancipação do trabalho.”. Ou seja, sem colocar em questão o poder das classes dominantes, através de um "concurso fraterno", longe dos "preconceitos nacionais”, tudo é ilusão. Nas palavras de Marx na mensagem "conquistar o poder político tornou-se, portanto, o grande dever das classes operárias."

A mensagem também é brilhante ao destruir, há mais de 150 anos atrás, qualquer ilusão reformista com o desenvolvimento econômico capitalista como alternativa para a classe operária e os trabalhadores, ilusão hoje tão presente nas organizações ditas de “esquerda”:

"Em todos os países da Europa, tornou-se agora uma verdade demonstrável a todo o espírito sem preconceitos e apenas negada por aqueles cujo interesse está em confinar os outros a um paraíso de tolos que nenhum melhoramento da maquinaria, nenhuma aplicação da ciência à produção, nenhuns inventos de comunicação, nenhumas novas colónias, nenhuma emigração, nenhuma abertura de mercados, nenhum comércio livre, nem todas estas coisas juntas, farão desaparecer as misérias das massas industriosas; mas que, na presente base falsa, qualquer novo desenvolvimento das forças produtivas do trabalho terá de tender a aprofundar os contrastes sociais e a agudizar os antagonismos sociais.”

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Retomar os princípios comunistas

Reproduzimos abaixo nossa resposta à carta que recebemos da camarada Ana Barradas
Acesse aqui o pdf em português e em espanhol.


Estimada camarada Ana Barradas,

Recebemos com satisfação a tua carta, esse teu chamado à tão necessária luta comunista nos dias que correm e ao reagrupamento daqueles que defendem as posições revolucionárias proletárias e a publicamos em nosso blog[1]. Ao ratificar que estamos de acordo com essa Iniciativa, queremos também aproveitar para contribuir com ela, expondo brevemente os pontos iniciais que achamos importantes para o nosso debate.

Retomar os princípios comunistas

Construção da hegemonia do proletariado pela aliança com as massas semiproletárias e pela sua demarcação crítica face à pequena burguesia”, “necessidade de um partido proletário para a revolução”, “expropriação da burguesia através do estabelecimento da ditadura revolucionária do proletariado”, “é necessário ... combater o centrismo e o revisionismo, aclarar conceitos teóricos e repor o marxismo na sua pureza”, dizes tu.

necessidade de reconstruir o partido revolucionário do proletariado em nosso país e para isto cumprir três tarefas fundamentais. Primeira, retomar o marxismo-leninismo no nível do desenvolvimento em que se encontra hoje ... Segunda, reconstruir o partido revolucionário, unidade indissolúvel da teoria e da prática. Terceira, aprofundar nossas ligações com as massas dentro do princípio de que só as massas dirigidas pela classe operária e seu partido, armado da teoria revolucionária, podem fazer a revolução”, “retomar o marxismo-leninismo combatendo o reformismo e revisionismo”, dizemos nós[2].

Para nós, os pontos de partida, mínimos, sobre os quais os comunistas devem se colocar de acordo e praticar cotidianamente parecem ser exatamente esses. Nos apropriarmos cada vez mais da teoria científica e revolucionária do proletariado, o marxismo-leninismo, sem a qual não há prática revolucionária. Aprofundarmos nossa ligação com a classe operária e as demais classes dominadas como guia para nossa ação cotidiana e sua permanente retificação. Combater a ideologia burguesa e sua influência no proletariado, em todas as suas manifestações, mas especialmente travar um combate sem tréguas, teórico e prático, ao reformismo e ao revisionismo, contra a prática dos ditos partidos de “esquerda”, centrais sindicais e sindicatos pelegos, e movimentos “populares”. Nesse processo, reconstruir o partido revolucionário do proletariado, o Partido Comunista. Dessa maneira, fazer com que nossa ação prática atual contribua para construir a revolução proletária, a expropriação dos expropriadores, e a (re)construção do socialismo, pelo caminho inafastável da ditadura revolucionária do proletariado, rumo ao comunismo.

domingo, 7 de agosto de 2016

A rápida deterioração das condições de reprodução da classe operária e demais classes trabalhadoras no Brasil


[Nas crises] param as máquinas, ou então só as fazem trabalhar em parte do tempo, mais ou menos meio dia de trabalho; o salário baixa devido à concorrência entre desempregados, à redução do tempo de trabalho e a falta de vendas lucrativas; e à miséria geral entre os trabalhadores; as eventuais pequenas economias dos particulares são rapidamente devoradas, as instituições de beneficência veem-se assoberbadas, o imposto para os pobres duplica, triplica e contudo permanece insuficiente, o número de famintos cresce e subitamente toda a massa da população redundante aparece sob a forma de assustadoras estatísticas. Isto dura algum tempo; os redundantes safam-se melhor ou pior ou não conseguem sobreviver.
Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra


A crise brasileira atual – que é, principalmente, uma crise das condições de acumulação de capital – tem lançado as bases e efetivado, de forma rápida e violenta, uma renovação dos mecanismos de exploração e, consequentemente, de opressão da classe operária e demais classes trabalhadoras. Essa renovação dos mecanismos de exploração e opressão das classes dominadas é a própria “modernização capitalista”, que deve ser entendida, do ponto de vista dessas classes, como: deterioração das condições de sua reprodução, ampliação da exploração e reforço da ditadura da burguesia. Ou seja, como continuidade e aprofundamento das relações de produção capitalista em um novo patamar, marcado pela ofensiva burguesa na luta de classes em todos os terrenos – econômico, político e ideológico.

Buscaremos apresentar alguns dados e análises que corroboram essa tese, que é sentida na pele por cada operário, por cada trabalhador da cidade e do campo, especialmente nos últimos anos. Para uma análise marxista, científica, tomar distância dos superficiais embates dos “partidos da ordem” (Fora Ele e Fora Ela), que atualmente saturam o debate público, é a primeira condição. Caso contrário, não se vai muito além de palavras de ordem vazias sem efeito prático para os reais interesses dos trabalhadores – ainda mais num momento em que as máscaras já caíram e os atores no palco querem remontar, cada um com sua ladainha, as ilusões perdidas para um teatro já pegando fogo.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Análise do PC da Turquia sobre os últimos acontecimentos.

Com o objetivo de auxiliar na análise dos últimos acontecimentos na Turquia reproduzimos abaixo comunicado do Comitê Central do Partido Comunista da Turquia (TKP).


O Comité Central do Partido Comunista reuniu-se a 17 de Julho e analisou em profundidade os últimos desenvolvimentos do país e discutiu também o estado do partido e as suas tarefas.

Comunicado:

1. A tentativa de golpe de 15 de Julho não foi um confronto entre centros de conflito ideológico, mas envolveu pelo menos duas ou mais facções com identidades e ideologias de classe idênticas. Não é possível que essas facções não soubessem dos planos e acções umas das outras assim como não é possível separar um do outro.

2. O processo que levou ao golpe tem duas dimensões. Primeiro poderia ser descrito como uma luta pelo «poder» no sentido geral entre apoiantes de Erdogan e o movimento de Gulen, que adquiriu uma nova dimensão com as recentes purgas alargadas de Gulenistas. Enquanto o peso económico e político desta luta aumenta, a luta adquire também uma dimensão internacional e centros imperialistas apoiam estas facções.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

O CAMINHO É PARA A FRENTE, HÁ QUE RETOMÁ-LO - ANA BARRADAS

Ana Barradas nas XV Jornadas Independentistas Galegas
O coletivo Cem Flores recebeu a carta abaixo da comunista portuguesa Ana Barradas com "reflexões sobre o estado a que chegaram os comunistas e suas propostas de debate para poder superar essa situação".
Por considerarmos importante documento para o debate da necessária retomada do marxismo e reconstrução do Partido Comunista, reproduzimos abaixo. 


O CAMINHO É PARA A FRENTE, HÁ QUE RETOMÁ-LO


Actual estrutura do capitalismo

A actual crise mundial do capitalismo tem gerado aumento do desemprego, crescimento das desigualdades sociais, concentração da renda e riqueza como nunca se viu antes, reforço das funções repressivas do Estado e da guerra imperialista contra os povos, sempre que necessário, para preservar o estado de coisas. O grande capital mostra-se incapaz de apontar saídas para essa crise do capitalismo. Ela apresenta-se como uma crise profunda e prolongada que exigirá reformas estruturais, com consequências sociais imprevisíveis. À crise internacional do capitalismo soma-se o esgotamento do modelo económico dos países mais frágeis, dependentes e periféricos como Portugal.

As classes dominantes que gerem o contexto internacional dos principais espaços imperialistas (EUA, Europa) demonstram não ter unidade em torno de um projecto hegemónico. Uma parcela procura a retoma e o aprofundamento do modelo neoliberal à custa de mais austeridade sobre os trabalhadores; outra esforça-se por temperar os excessos que abalam a integração social, causando insatisfação e rejeição social e fragilizando o apoio popular.